A força e a determinação estão-lhe na voz e nos palcos, assiduamente públicos, onde afirma a importância de alargar respostas em Cuidados Paliativos a 70% da população portuguesa que não acede a eles. Em fevereiro de 2024, quando um diagnóstico de cancro de mama «triplo negativo, dos mais agressivos» a parou, a força e a determinação não abandonaram Isabel Galriça Neto mas estas características que a moldam, conviveram com a vulnerabilidade e a fragilidade, do corpo e da mente.
A relação com os seus pacientes em Cuidados Paliativos não mudou: eles sempre foram mestres no seu caminho, procurando integrar a fragilidade na procura de propósito e sentido, cultivando a coragem e a esperança nas pequenas coisas, mesmo quando os «se’s» assaltam.
A médica passou a paciente tratada no seu local de trabalho. Hoje, depois de um ano de tratamento duro, está em remissão. Isabel Galriça Neto agradece poder andar nos corredores de pé, quando ocasião houve em que ali entrou de cadeira de rodas; agradece conseguir tomar banho sozinha, sem ter de descansar depois uma hora; agradece poder frequentar o Doutoramento em Cuidados Paliativos, mesmo reconhecendo que «só Deus sabe o que virá».
