Daniela Luís gostava de morar dentro de um desenho: ali se encontram as cores que lhe apetece usar, o traço que encerra os sons e os cheiros que só ela recorda porque os desenhos, os seus pelo menos, vão mais fundo do que uma fotografia. Quando se senta para desenhar, é Daniela que escolhe o risco, a cor, a intensidade que vai guardar a memória do espaço.
Em Roma esta artista sentou-se, desenhou, emocionou-se e sentiu que também ela, relutante em confirmar o seu dom, era chamada a fazer parte de uma ponte entre todos os artistas, crentes e não crentes, na procura da beleza que a todos une.
Decidiu regressar ao Vaticano, anos depois e como arquiteta formada, para, no Jubileu dos artistas, aceitar que a procura faz parte da sua vida, que as respostas podem surgir numa paleta de cores e numa folha de papel em branco, ou nos círios pascais que pinta, na tentativa de desinquietar e provocar o outro.