Da Polónia a Fátima a pé, pela Paz

A «paz no mundo, em particular no Iraque, e as intenções do novo Papa Bento XVI» são algumas das razões que movem Paulo, um jovem de 29 anos, a peregrinar a pé entre a Polónia, sua terra natal, e o Santuário de Fátima onde espera chegar no dia 1 de Outubro e permanecer até às celebrações do dia 13 de Outubro. Hoje, integrado na Ordem Terceira de S. Francisco, vivendo o celibato, Paulo procura viver uma vida de «oração e acção de graças », depois de ter alcançado a sua «conversão», conta, numa celebração no Santuário da Virgem Negra, na Polónia, onde o pai o levou. Sem “papas” na língua diz que foi naquele santuário que «os demónios que o atormentavam» o deixaram e lhe permitiram ver um outro lado da vida, daí que numa atitude de gratidão à Virgem Maria «rezo muitos terços» enquanto faz o trajecto entre as diversas terras porque passa ao longo de milhares de quilómetros. Despojado de quase tudo, com os seus longos cabelos e barba ao vento, Paulo caminha num passo verdadeiramente rápido, na estrada nacional 13, carregando apenas o essencial na sua mochila, em particular um saco cama, e transportando um crucifixo ao qual amarrou, com algumas tiras de fita-cola, uma pequena imagem de Nossa Senhora de Fátima. As andanças por caminhos menos próprios, considerando que viver como «um bandido», em mundos de alienação, onde o fumo e o álcool pontificavam, surgiram depois de ter ficado órfão de mãe que morreu atropelada por um automóvel. Nesta vida dedicada a peregrinar, Paulo diz que só a fé lhe basta e que não necessita de bens materiais. Nestas longas tiradas, prefere ficar sempre nas aldeias ou vilas mais pequenas porque as pessoas «são mais acolhedoras» e conta que já em território português parou para pedir água e as pessoas deram-lhe também comida. Por isso, não se preocupa, na hora de parar alguém o há-de acolher e dar um tecto para dormir, se tal não suceder nada que não se resolva com o saco cama, mas não se queixa da «generosidade». Ao longo destes meses de caminho que já leva nas pernas, ficou em Igrejas, em telheiros, no Caminho de Santiago, primeiro o Francês e depois o troço Português ficou nos albergues para peregrinos e, agora, será onde calhar. Mas esta não é a primeira vez que este polaco visita Fátima. Já veio ao santuário duas vezes, contudo, nas anteriores, os quilómetros, entre a sua terra natal e o local das aparições, foram vencidos pedalando em cima de uma bicicleta.

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