D. Antonino critica «ritualismo religioso»

O Bispo Auxiliar de Braga, D. Antonino Dias, brindou ontem os peregrinos que se deslocaram ao Santuário de Nossa Senhora da Aparecida, em Balugães, Barcelos, com uma verdadeira catequese sobre a Eucaristia. Questionando a falta de envolvimento pastoral de alguns cristãos, o prelado salientou a importância de uma «conversão» pessoal, comparada com «o mero ritualismo religioso». Apesar do cansaço e de um sol abrasador, os peregrinos criaram um ambiente de silêncio impressionante (o que não deixa de ser curioso neste tipo de celebrações ao ar livre e que congrega milhares de pessoas…) e escutaram o responsável dizer que, «infelizmente, um número considerável de cristãos rejeita qualquer envolvimento pastoral ». «Já repararam que a maior parte dos fiéis tem na Missa dominical a única actividade religiosa», questionou o prelado, acrescentando que «os cristãos até podem ser cumpridores dos preceitos, mas que nada disto tem importância se cada um não se converter». «O convertido é o bom cristão. Porém, ainda há muita gente que se gaba por cumprir os rituais, mas cria divisão no seio da família e na comunidade, fazendo da vida dos outros um verdadeiro inferno », lamentou o Bispo Auxiliar de Braga, numa linguagem simples e fraternal. «A participação na Eucaristia dominical implica “regressar a casa por outro caminho”, com o propósito e a vontade de mudar atitudes e comportamentos », referiu D. Antonino Dias, que, numa alusão ao local da peregrinação, salientou que «descer da montanha implica a opção por um itinerário de vida alternativo ». «Por isso é que a Eucaristia se torna tão importante », realçou o responsável, que pediu mais «missionários da Eucaristia ». Refira-se ainda que o Bispo Auxiliar de Braga não confinou a sua catequese ao momento da homilia, já que antes da Comunhão explicou pedagogicamente a forma litúrgica de receber a Hóstia Consagrada. Tratou-se de um momento que deixou os peregrinos positivamente surpreendidos, tendo em conta os comentários suscitados. Centro Pastoral acolherá peregrinos À margem da celebração eucarística, o pároco de Balugães disse ao Diário do Minho que se encontra em fase de elaboração a terceira edição – a primeira foi publicada em 1972 – do livro sobre o Santuário de Nossa Senhora da Aparecida. «Neste volume vamos inserir a árvore genealógica do vidente, João Alves», referiu o padre José Lima. Por outro lado, o sacerdote destacou os trabalhos de conservação do recinto e do Santuário, e a construção do Centro Pastoral João Alves – o “mudo” –, cujos trabalhos progridem de forma lenta. «O edifício ficará dotado com uma residência paroquial, que terá três quartos; um bloco para actividades religiosas; e uma unidade de saúde», explicou o responsável, acrescentando que os peregrinos que se deslocarem ao Santuário depois da conclusão da estrutura também beneficiarão de um auditório, museu e uma espaço de apoio. O Centro Pastoral também contará com um conjunto de quartos para que os peregrinos possam repousar das suas viagens.

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