A Conferência Episcopal da Venezuela (CEV) manifestou ontem a sua preocupação em relação aos recentes confrontos no país. Depois de a Comissão Eleitoral ter anunciado que a oposição ainda não tem as assinaturas necessárias para garantir um referendo à continuação de Hugo Chávez no poder, os opositores intensificaram os protestos, onde morreu mais uma pessoa O secretário-geral da CEV, D. José Luis Azuaje, exortou os venezuelanos a ter uma atitude racional perante o conflito e a ingovernabilidade do país. “A Paz e a tranquilidade do país dependem das decisões que tome a Comissão Nacional Eleitoral”, esclareceu. A Comissão Eleitoral diz que recolhidas mais de três milhões de assinaturas, só 1,8 milhões são válidas, um número insuficiente para que a consulta popular seja obrigatória. Agora, quase 900 mil assinaturas têm de ser reconfirmadas, mas a Comissão decidiu dar apenas dois dias para o processo e muitos analistas consideram que a tarefa é impossível. A CEV explica que “é necessário que se emita uma mensagem com uma linguagem construtiva, que gere a paz e fomente a unidade do povo”. A Organização de Estados Americanos e o Centro Carter, que acompanharam os trabalhos da Comissão Eleitoral, contestaram de imediato o processo de verificação de assinaturas, considerando que põe em causa todo o processo. Para a Igreja Católica, contudo, “o povo venezuelano deu mostras de que sabe reclamar, pelas vias legais, os seus direitos. O nosso povo sabe protestar pacificamente e não é recomendável cair no jogo dos verdadeiros violentos para conseguir a participação democrática num processo eleitoral”. Mal foi conhecido o anúncio, os manifestantes, nas ruas das principais cidades, intensificaram os protestos. Na capital, Caracas, muitas ruas continuam bloqueadas e os manifestantes estão a usar pedras e cocktails Molotov para responderem às acções da polícia. Durante os protestos, mais um manifestantes foi morto, fazendo aumentar para seis o número de vítimas mortais desde o final da semana passada. Centenas de opositores a Hugo Chávez já foram detidos. A CEV já lamentou que se viva num “estado de guerra”, que não corresponde “a um país pacífico e democrático”.
