Bento XVI acredita que a crise de identidade que “afectou tantos sacerdotes no passado” já terá sido superada. Num encontro com o Clero de Roma, o Papa convidou-os a “não descurar os desertos” em que a humanidade se perde, retomando uma ideia apresentada na homilia da inauguração solene de pontificado. “Caros sacerdotes, a qualidade da vossa vida e do vosso serviço pastoral parece indiciar que, nesta como noutras dioceses do mundo, deixamos para trás o tempo daquela crise de identidade que afectou tantos sacerdotes”, disse Bento XVI na audiência concedida aos padres e diáconos de Roma na Basílica de São João de Latrão. “As causas do deserto espiritual que afecta a humanidade permanecem, no entanto, bem presentes e minam também a Igreja, que vive no meio dela”, acrescentou. O Papa desafiou os sacerdotes a serem “porta-vozes de uma única palavra, a palavra de Deus feita carne pela nossa salvação” e a fazerem da Missa “o centro da vida”. Pediu-lhes ainda que sejam obedientes “ao seu Bispo”. “Cristo chama-nos a ser suas testemunhas e dá-nos a força do seu Espírito para que o sejamos verdadeiramente. É necessário, portanto, estar com Ele”, acrescentou. O Papa manifestou-se próximo dos esforços dos padres, que cumprem a sua missão com “custos pessoais”. “Conheço as vossas fadigas quotidianas e quero agradecer-vos, da parte do Senhor”, indicou. Bento XVI fez referência à herança do seu predecessor, João Paulo II, e partilhou com o clero de Roma a “extraordinária experiência de fé” vivida por ocasião da sua morte, “que mostrou uma Igreja de Roma profundamente unida, cheia de vida e rica de fervor”.
