As difíceis relações entre o Governo argentino e os bispos católicos do país pioraram na última segunda-feira, quando um Ministro do Gabinete acusou a hierarquia católica de não colaborar na solução dos problemas. O Ministro do Interior, Aníbal Fernández, declarou à imprensa que há bispos que “apenas fazem o diagnóstico”, e na “hora de colaborar, não estão muito decididos”. Fernández replicou, deste modo, às afirmações do Arcebispo emérito de Resistência, D. Carmelo Juan Giaquinta, que criticou o baixo nível dos salários. “A diferença de salários na Argentina é grosseira, abissal e muitas vezes fomentada por leis, quando não por casos de corrupção”, afirmou o Arcebispo. Um documento emitido após uma reunião de Bispos em Mar del Plata, afirma que “é uma pena saber que são pagos altos salários, ao invés de gerar empregos”. Essa foi uma alusão a recentes confirmações de que, durante os dez anos de governo do ex-presidente Carlos Menem, a partir de 1989, ministros, secretários de Estado e altos funcionários receberam supersalários provenientes de fundos reservados. A Igreja condenou ainda as iniciativas governamentais de promover planos de difusão do uso de anticoncepcionais entre os sectores mais pobres, assim como programas de educação sexual nas escolas. Essa questão provocou grande tensão entre os Bispos e o Governo, que pediu ao Vaticano a substituição do Bispo castrense, D. Antonio Baseotto, por este ter criticado o Ministro da Saúde.
