Vários alertas chegaram nos últimos dias desde a República Democrática do Congo, dando conta de uma aumento da tensão no país, mormente a leste, onde as tropas ruandesas invadiram o território. A “EurAC”, rede europeia de ONG’s a actuar na África central, manifestou em comunicado a sua indignação pela actuação do Ruanda e pediu às instituições da UE que enviem mais militares para o terreno, respondendo ao apelo de Kofi Annan, de forma a “assegurar a segurança física das populações do Este da RDC, que vivem num clima de terror ao longo dos últimos seis anos”. Segundo a Agência de informação do Vaticano para o terceiro mundo, Fides, a tensão aumenta a cada hora que passa. Citando fontes de Bukavu, capital de Kivu do Sul, no leste da RDC, a Fides refere que “confrontos entre militares, presumivelmente ruandeses, e estudantes locais, que protestavam contra a presença ruandesa no Congo”. Goma, uma das cidades mais afectadas, é o reduto da União Congolesa para a Democracia, o principal grupo de guerrilha congolês apoiado pelo Ruanda. No clima de tensão e de violência de Kivu do Sul, chega a notícia que a paróquia de Kabare, da diocese de Bukavu, foi saqueada na noite entre segunda-feira, 6, e terça-feira, 7 de dezembro. A República Democrática do Congo afirma-se como o palco da mais sangrenta guerra desde 1945 até hoje. Segundo a International Rescue Commitee, uma organização não-governamental com sede em Nova Iorque, 3 milhões e 800 mil pessoas morreram na RDC nos últimos seis anos, por causa da guerra e da destruição que esta provoca. A falta de cuidados adequados, consequência da destruição do sistema sanitário, fez com que 98% dos óbitos derivassem de doenças facilmente curáveis.
