Compromisso ecuménico é uma prioridade da Igreja Católica

Apelo de João Paulo II A Igreja Católica tem de estar cada vez mais comprometida no caminho ecuménico, rumo à plena unidade dos cristãos. O desafio foi lançado por João Paulo II, durante celebração litúrgica que assinalou o 40º aniversário da promulgação do decreto Unitatis Redintegratio do Concílio Vaticano II. “O ecumenismo não é apenas uma das actividades tradicionais da Igreja, mas representa um aspecto mais profundo enquanto se funda no desígnio salvífico de Deus para reunir todos na unidade”, disse o Papa. O ecumenismo tem sido um dos campos onde a acção de João Paulo II mais se tem feito notar e foi o próprio a reconhecer que “a aplicação deste decreto conciliar, querido pelo meu predecessor, o beato João XXIII e promulgado pelo Papa Paulo VI, foi desde o início uma das prioridades do meu Pontificado”. Assegurando que a unidade ecuménica é uma das “prioridades” da Igreja, o Papa pediu que os cristãos não se “resignem” perante as dificuldades que o caminho para a comunhão plena entre os cristãos tem experimentado. “Procurar a unidade é, fundamentalmente, aderir à oração de Jesus ‘que todos sejam um’”, disse. A celebração das Vésperas presididas pelo Papa foram o acto de encerramento do congresso internacional “O Decreto sobre o Ecumenismo do Concílio Vaticano II, 40 anos depois”, celebrado de 11 a 13 de Novembro em Rocca di Papa. O encontro, convocado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, congregou 260 participantes, bispos católicos de todo o mundo, 27 delegados de outras Igrejas e comunidades cristãs. “Graças a Deus, superaram-se muitas diferenças e incompreensões, mas muitas pedras de tropeço ficam ainda no longo caminho”, reconheceu João Paulo II. “Às vezes, ficam não só incompreensões e discriminações, mas também sintomas deploráveis de pobreza e de falta de abertura de coração, e, sobretudo, diferenças em matéria de fé, que se concentram em torno ao tema da Igreja, sua natureza, seus ministérios”, indicou. O chefe da Igreja Católica disse ainda que o caminho ecuménico é tanto mais necessário quanto vivemos num mundo “que cresce para a sua unificação”. “Na nossa época, assistimos ao crescimento de um humanismo errado, sem Deus, e constatamos com profunda dor os conflitos que ensanguentam o mundo: nesta situação, a Igreja é chamada, com maior razão, a ser sinal e instrumento de unidade e reconciliação entre os homens”, declarou. Para João Paulo II, se quiser ser sinal de paz, a Igreja não pode “deixar de estar empenhada na superação das divisões dos cristãos”. “Infelizmente, encontramo-nos também diante de novos problemas, especialmente no campo ético, onde surgem ulteriores divisões que impedem um testemunho comum”, assinalou. Em conclusão, o Papa deixou uma receita para o futuro: “mais que nos lamentar-nos pelo que ainda não é possível, temos de dar graças e alegrar-nos pelo que já existe e é possível”. O Congresso organizado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos discutiu um manual do ecumenismo (Vademecum oecumenicum), para promover a nível local o “ecumenismo espiritual”, considerado como a alma da relação entre as Igrejas cristãs. A obra inclui propostas e sugestões de oração, destacando que “se o compromisso ecuménico não for alimentado e sustentado por uma profunda espiritualidade, arrisca-se a sofre os efeitos da fadiga e da desilusão”. O texto está ainda em fase de elaboração e foi apresentado em Rocca di Papa na forma de “documento de trabalho”. A Santa Sé pede às dioceses que promovam “a colaboração no campo bíblico” e a “celebração da fé comum”. “Em qualquer época da história, os mais importantes actores da reconciliação e da unidade foram homens e mulheres de oração e de contemplação”, refere o documento. O presidente deste Dicastério, Cardeal Walter Kasper, assumiu durante os trabalhos que o caminho ecuménico não pretende fundir todas as confissões cristãs na Igreja Católica ou numa outra mega-Igreja. “O ecumenismo não é uma viagem para o desconhecido nem comporta a absorção recíproca ou a fusão, mas quer a unidade na diversidade e diversidade na unidade”, referiu o Cardeal alemão.

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