Coimbra: D. Virgílio Antunes pediu olhar «capaz de ver oportunidades na humanidade» para combater esforços belicistas

Dia Mundial da Paz marcado por apelos à «compaixão e misericórdia

Coimbra, 03 jan 2026 (Ecclesia) – O bispo de Coimbra pediu no Dia Mundial da Paz, a capacidade para “ver as oportunidades da humanidade”, para “olharmos o outro como igual”, contrariando “o clima de suspeição” e os “esforços belicistas”.

“Quanto menos somos capazes de ver as oportunidades da humanidade, quanto menos somos capazes de reconhecer o dom de Deus inclusivamente a partir da fé, quanto menos somos capazes de ver em Maria, a mãe de toda a humanidade, quanto menos somos capazes de reconhecer em Deus, o Pai todos aqueles que estão disponíveis para ser seus filhos, quanto menos olhamos para Jesus como o irmão que quer acolher a todos, quanto menos somos capazes de ver os outros como iguais a nós próprios como pessoas com alegrias e dores, com direitos e com deveres, mais estamos a contribuir para que este clima de suspeição em relação a tudo e em relação a todos continue a crescer”, constatou D. Virgílio Antunes na homilia na celebração da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus.

O responsável reconheceu que Maria “guarda todas estas palavras, todas estas realidades no coração”: “O mundo do progresso, o mundo da inteligência artificial, este mundo da comunicação, da comunicação social, esta sociedade global onde quase não há distâncias, pelo menos geográficas, onde por vezes existem sim, as distâncias físicas, materiais, do coração – podemos imaginar o coração da Virgem Santa Maria, Mãe de Deus e Nossa Mãe, a considerar tudo isto”.

O responsável pediu que todos possam “ter compaixão uns dos outros”, que todos sejam “verdadeiros construtores de paz” e lamentou os esforços belicistas que “contribuem para a guerra”.

“O mundo não está bem. Não está bem porque há estes focos de guerras visíveis e que matam e que massacram e que fazem sofrer uma parte considerável da humanidade e em tantos lugares distintos. O mundo não está bem porque o coração das pessoas continua a alimentar estas situações. Na mensagem do Papa para este dia falava-se do aumento dos gastos com as despesas de guerra, com os armamentos, que é uma coisa absolutamente sem sentido. E ano após ano. E isto é fruto da inteligência humana. E isto é fruto dos sentimentos alimentados nos corações de pessoas que têm marcas, podem ser economistas, podem ser políticos, podem ser gestores da sociedade, podem ser influenciadores deste mundo, podem ser inclusivamente homens e mulheres com uma religião ou sem uma religião. Nada disto aparece do nada. Aparece da vida das pessoas. E há uns que são belicistas e contribuem para que haja guerras”, lamentou.

“Há outros que podem ser até teoricamente não belicistas e às vezes contribuem igualmente para que continue a desenvolver-se esta indústria da guerra. E há quem aproveite pura e simplesmente para chamar a atenção para aquilo que se passa na humanidade de negativo e que tem outros objetivos, umas vezes melhores e outras vezes nem sempre mais adequados. E, portanto, nós estamos de facto metidos num mundo em que, a certa altura, se formos pessimistas não somos capazes de ver que futuro é que tem”, acrescentou.

D. Virgílio Antunes afirmou que na humanidade “todos participam da mesma e igual dignidade”, tendo também igual “possibilidade de caminhar unidos em ordem à paz que é o bem-estar mais alargado e universal”, onde todos “não só do ponto de vista material mas têm também do ponto de vista espiritual, possam ter as condições adequadas para fazer o seu caminho de uma forma tranquila”.

O responsável apelou por isso a um olhar otimista perante o mundo, um olhar marcado pela compaixão e misericórdia.

LS

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