Bispo participou no Encontro Nacional dos Assistentes Regionais do Corpo Nacional de Escutas, em Fátima

Fátima, 12 fev 2026 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal Laicado e Família (CELF) alertou, esta terça-feira, em Fátima, para a “atual tendência laicista que ameaça desligar o Escutismo da sua matriz cristã e da sua intencionalidade”.
Numa intervenção do Encontro Nacional dos Assistentes Regionais do Corpo Nacional de Escutas (CNE), D. Nuno Almeida considerou que se tal acontecer pode colocar em risco “os valores humanos tão apreciados no projeto educativo deste movimento”.
“Como procurámos esclarecer oportunamente, verifica-se uma convergência natural entre o ideal escutista e o cristianismo. A fé cristã fortalece o projeto educativo do Escutismo e este favorece a educação da atitude da fé”, salientou.
O responsável recomendou, por isso, “aos dirigentes e assistentes que estejam atentos a este risco e valorizem a raiz e perspetiva cristã do Escutismo como alicerce da educação integral”.
Seria um empobrecimento grave ver no Escutismo apenas os aspetos exteriores e deixar na sombra os valores humanos e cristãos que constam da sua proposta original e que o tornam uma escola de formação humana e cristã com grande atualidade”, sublinhou.
Na comunicação, o bispo de Bragança-Miranda assinalou que “o Escutismo continua a mostrar um grande vigor e dinamismo” e que “tem conhecido nos últimos anos uma expansão notável e prestado um contributo precioso à educação integral dos jovens”.
“Tornou-se um movimento prestigiado e procurado. Muitos pais desejam integrar os seus filhos no Escutismo, muitos adolescentes, crianças e jovens se interessam e dedicam a este movimento”, destacou D. Nuno Almeida.
Segundo o responsável, este “continua a ser uma escola de educação humana e cristã, de modo a formar pessoas felizes, solidárias e participativas no bem comum, social e eclesial.
Para o presidente da CELF, uma “dimensão importante da fé cristã que o Escutismo católico precisa de cultivar nos seus membros “a comunhão eclesial, a consciência de pertença à Igreja”.
“Num ambiente social marcado pelo individualismo, pelo anonimato e pela massificação, o CNE deve educar os seus membros no sentido de grupo, no espírito de comunidade, vivendo e testemunhando a fraternidade cristã”, defendeu.
Na intervenção, D. Nuno Almeida frisou que “a comunhão eclesial não termina na fraternidade de cada unidade ou agrupamento, mas realiza-se também pela pertença a uma paróquia”.
O bispo de Bragança-Miranda abordou também o movimento como um caminho para a evangelização, indicando algumas pistas, como “personalizar e fundamentar a fé”: “Viver hoje como cristão deve tornar-se objeto de uma decisão pessoal e não apenas fruto do meio social”.
Além disso, o responsável realçou que “o Escutismo tem, possibilidades de acolher e de oferecer o Evangelho aos que se afastaram ou que não conhecem a Cristo, de atingir pessoas que estão fora ou alheadas da vida cristã”.
“Na verdade, responde a preocupações e oferece valores que interessam a muita gente que habitualmente não frequenta a Igreja: a questão ecológica, a educação ética, a responsabilidade pelo bem comum”, disse.
Nesse sentido, D. Nuno Almeida entende que o movimento “pode fazer o primeiro anúncio do Evangelho como Boa Nova que realiza em profundidade estas expectativas humanas” e que “torna-se, assim, um movimento de fronteira entre a Igreja e o mundo e um meio para a evangelização”.
Na comunicação, o bispo ressaltou também que “a evangelização só é possível com a participação interessada de todos os membros da Igreja, cada um segundo a responsabilidade específica e o lugar próprio que tem na Igreja”.
Sobre o CNE e a articulação com outros organismos que colaboram na missão da Igreja, D. Nuno Almeida defendeu que, “pelos valores que oferece, pela pedagogia que pratica, pelo interesse que desperta nos jovens, o Escutismo católico português, em comunhão eclesial, apresenta-se em posição privilegiada para corresponder às exigências de uma pastoral da juventude”.
O Escutismo enriquece a pastoral juvenil com a sua perspetiva dinâmica e criativa assente num método com provas dadas”, declarou.
Nas palavras dirigidas aos dirigentes, educadores e evangelizadores, o presidente da CELF destacou que deles depende, de maneira preponderante, “a capacidade de formação e de evangelização do CNE”.
“São eles que dão forma concreta à pedagogia do Escutismo católico e exercem uma influência marcante no estilo e nos frutos de cada agrupamento. Assim a renovação do CNE passa primeiramente pelo perfil humano e cristão e pela adequada formação dos dirigentes”, evidenciou.
Convocado pelo assistente nacional do Escutismo Católico em Portugal, padre Daniel Nascimento, o encontro contou também com a presença do chefe nacional, Ivo Faria, e o chefe nacional adjunto, Paulo Pinto.
Segundo a ’Flor de Lis’, marcaram presença na iniciativa 22 assistentes regionais do CNE e adjuntos.
LJ/OC
