Cidadãos desafiados a terem intervenção política

Associação de Famílias Numerosas debateu relação família/sociedade O apelo a um papel mais activo dos cidadãos na sociedade, designadamente a nível político, esteve ontem em destaque na conferência “Família e educação — O papel da família, da sociedade e do Estado”, que a Delegação de Braga da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) promoveu no auditório da Delegação Regional de Braga do Instituto Português da Juventude. O presidente da APFN, Fernando Castro, focou a necessidade que temos, enquanto família, de «não ficar fechados em casa. Temos que acordar a sociedade, ter conversas com os nossos amigos e familiares e acordá-los para a necessidade de intervenção política, nomeadamente junto das autarquias locais, que são quem está mais perto das pessoas». É preciso «juntar forças». O ex-deputado eleito pelo círculo de Braga António Pinheiro Torres disse que os cidadãos não estão «condenados a assistir passivamente ao que se passa. Quatro ou cinco amigos podem juntar-se e fazer a diferença». António Pinheiro Torres fez um desafio directo à «participação na vida política e partidária». Para se ter uma participação política, é preciso «estar certo das razões para as quais se vai para a política». «Ter um grupo de amigos com quem se vá confrontando o que se faz e ter paciência, abnegação e vontade de servir» foram outros conselhos deixados pelo orador. «A experiência política permite ir ao encontro das pessoas. A relação humana é determinante. Cada um deve escolher o partido da sua preferência e ir em frente». Já o presidente da Associação Famílias, Carlos Aguiar Gomes, disse que os cidadãos têm de «adquirir o hábito de protesto e dizer “assim não”». Centrando a sua intervenção na vertente educativa, António Pinheiro Torres referiu que a «educação é uma questão de liberdade, primeiro das famílias e depois das pessoas. O Estado só pode aparecer como servidor dos pais. Mas ele tem vindo a tirar liberdade às pessoas». «Aos nossos filhos está a ser dada uma educação que não queremos. Nós lutamos pela liberdade de educação dos filhos como entendemos». A propósito da educação sexual, o ex-deputado salientou o facto de este ser um assunto que «não se restringe ao Ministério da Educação. Já é um assunto tornado público». No que se refere à existência dos “rankings” dos estabelecimentos de ensino, António Pinheiro Torres disse que «todos são bons porque trazem informação que até agora era negada. Depois cada um lida com a informação como quer». Transmitir uma mensagem positiva do casamento Carlos Aguiar Gomes defendeu que as pessoas casadas devem dar um «testemunho feliz do que é o casamento. Como é que os nossos filhos/jovens podem agarrar a veracidade/felicidade do casamento quando nós não a conseguimos transmitir?» Em sua opinião, «é importante transmitir a mensagem positiva do casamento. Se a comunicação social estivesse mais atenta ao lado positivo do casamento a situação podia mudar». «O dom da vida tem que ser trabalhado/educado. Tem que se criar uma mentalidade favorável à vida. Os casais devem estar disponíveis para o acolhimento da vida». De acordo com o presidente da Associação Famílias, o facto de as pessoas terem menos filhos contribui para a «diminuição da diversidade. E diversidade é riqueza. É preciso preservar a riqueza da diferença e quando as famílias têm só um filho a diferença é nula». Também segundo Carlos Aguiar Gomes «não há famílias perfeitas. Mas há famílias que lutam todos os dias pela perfeição». Na opinião de Fernando Castro, «há modelos de família, mas não há famílias modelo. Há altos e baixos na busca do modelo que existe». O presidente da APFN disse que «a família é fundada na relação biológica homem/mulher». Por isso, «chamar família a outras coisas é dar um pontapé nos conhecimentos mais elementares da biologia». De acordo com o responsável, «sabe-se que só dez por cento das uniões de facto ultrapassa os dez anos. Por isso, uma criança concebida no seio de uma união de facto só tem dez por centro de hipótese de, na adolescência, ser educada pelos dois pais». E considerando o «aumento da taxa de divórcio», concluiu-se que metade das crianças que nascem no seio do casamento «tem probabilidade de não ser educada pelos dois pais».

Partilhar:
Scroll to Top