Cerimónia religiosa em linguagem gestual

Santuário de Fátima recebeu peregrinação nacional de surdos Cerca de dois mil surdos participaram nas celebrações do Santuário de Fátima, acompanhados por intérpretes de língua gestual, que traduziram com as mãos toda a cerimónia religiosa. Foi a Peregrinação Nacional de Surdos àquele santuário mariano, dia 19 de Junho. Numa das escadarias junto ao altar do Recinto, os surdos e seus familiares assistiram às cerimónias, presididas pelo cardeal Crescenzio Sepe, prefeito da Congregação Pontifícia para a Evangelização dos Povos, que foram traduzidas por uma intérprete. No entanto, para Abílio Alves, presidente da Associação de Surdos do Oeste, “faltam intérpretes” não apenas para comunicar com os portadores de deficiência auditiva mas também para ensinar os surdos a “falar com as mãos”. Apesar das várias organizações regionais de surdos, o presidente da Associação do Oeste lamenta a inexistência de “mais actividades” que envolvam este sector da população, procurando também “sensibilizar a sociedade” para os seus problemas. Opinião partilhada por Lídia Cortes, de Vale de Cambra, que veio ao Santuário para “encontrar pessoas amigas” de outras zonas do país. Sem ouvir desde um ano de idade, Lídia Cortes é casada com um surdo e tem uma filha, com 20 anos, que, sem qualquer problema de audição, decidiu tirar o curso de intérprete de língua gestual. Surdo desde os sete anos, António Araújo, de 26 anos, reclama mais intérpretes e mais apoios para as associações de surdos, já que é no silêncio dos gestos que se sentem bem. “Temos convívios e teatro mas queríamos fazer mais”, explicou, embora reconhecendo que a atenção das entidades tem “aumentado” nos últimos anos. Para a grande adesão das pessoas a esta peregrinação, que atingiu um número recorde de inscritos, muito contribuiu a grande promoção do evento junto da comunicação social e das estruturas associativas, explicou Abílio Alves, presidente da Associação de Surdos do Oeste. Agora, o desafio é sensibilizar a população surda para alargar a formação dos seus elementos sobre a língua gestual, explicou Susana Cortes, estudante da Escola Superior de Educação do Porto. “Muitos não falam por vergonha ou porque não se conseguem fazer entender bem” – afirmou a jovem de 20 anos, que sempre se habituou a viver no meio. “Nunca tive problemas de comunicação lá em casa” – disse, salientando que o ambiente familiar existente é “o mais normal possível” apesar dos pais não a ouvirem. “Falamos de outras formas” – finalizou

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