O Arcebispo católico de Moscovo, D. Tadeusz Kondrusiewicz, revelou que os fiéis do país desejam um encontro entre Bento XVI e o Patriarca Ortodoxo Alexis II. Esse encontor abriria portas, segundo o prelado, a uma visita do Papa à Rússia, algo que João Paulo II nunca conseguiu. Falando aos jornalistas, à margem do Sínodo dos Bispos, D. Tadeusz Kondrusiewicz assegurou que “se as duas Igrejas cristãs mais importantes estiverem unidas, será mais fácil enfrentar os desafios que as esperam”. O Arcebispo de Moscovo adiantou que Bento XVI já manifestou o desejo de encontrar-se com Alexis II, mas não revelou se já há negociações nesse sentido. Um representante do Patriarcado Ortodoxo de Moscovo encontra-se a participar no Sínodo dos Bispos, a convite do Papa. “Rezemos para que se realize quanto antes o encontro entre o Papa e Alexis II. Este acontecimento permitiria passar a página do passado e abriria uma nova era nas relações entre as duas Igrejas”, disse o Arcebispo Kondrusiewicz. O prelado explicou que a ideia do Cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, de celebrar um Sínodo entre bispos católicos e Bispos ortodoxos é partilhada pelo Papa e já recebeu o apoio dos ortodoxos de Moscovo. A contrário do que acontecia com João Paulo II, o Patriarca Ortodoxo de Moscovo não coloca de parte uma possível visita de Bento XVI à Rússia, “desde que os problemas existentes sejam resolvidos”. Entre eles, o que tem maior destaque é o alegado proselitismo da Igreja Católica em territórios da antiga URSS. Essa acusação foi negada peremptoriamente por D. Kondrusiewicz. “Essa não é a nossa política. Nós reconhecemos a Igreja Ortodoxa russa como uma outra Igreja com os mesmos Sacramentos que nós”, apontou. “Os católicos seguem os ensinamentos do Concílio Vaticano II, que diz que a liberdade de consciência se baseia no reconhecimento da dignidade da pessoa”, acrescenta. Nesse sentido, o Arcebispo de Moscovo afirmou ser sua intenção promover um encontro bilateral entre teólogos para “chegar a uma definição comum de proselitismo”.
