Cartas inéditas de D. Hélder Câmara assinalam 5º aniversário da sua morte

No dia 27 de Agosto de 1999 morria D. Hélder Câmara, arcebispo de Recife, intimamente ligado à luta pelos mais pobres e orpimidos. O “bispo das favelas” será lembrado com as III Jornadas Teológicas de Dom Hélder, o I Simpósio Internacional do Instituto Dom Hélder Câmara e o XXX Simpósio Nacional do Cehila-Brasil. As III Jornadas Teológicas de Dom Hélder guardam mesmo um momento especial para recordar a actuação do prelado durante o II Concílio do Vaticano: o lançamento do livro “Dom Hélder Câmara. Correspondência Conciliar”, previsto para amanhã, na capital pernambucana. D. Hélder Câmara mantinha um fluxo de correspondência muito activo, sobretudo no período do Concílio. Sempre muito reservado, preferia manter as suas cartas conciliares longe de publicações, apesar da insistência de muitos religiosos para que o público tomasse conhecimento do que se passava. As cartas que fazem parte deste primeiro volume das correspondências conciliares de D. Helder, segundo descreve o padre José Oscar Beozzo, autor do texto de apresentação da obra, foram escritas à mão, numa caligrafia rápida e corrida, como que se seguisse a velocidade de seus pensamentos. A proposta de publicar os escritos partiu do Instituto Dom Hélder Câmara, em Recife, há mais de um ano. Desde então, o material inédito vem sendo trabalhado por uma equipe e deverá ser publicado em vários volumes. A quantidade das cartas e material escrito por Dom Hélder no período que compreende o II Concilio do Vaticano é tanto que se estima uma publicação de aproximadamente sete volumes ao todo. “Damos graças a Deus porque o tesouro mais íntimo da vida, acção e contemplação de D. Hélder Câmara estará agora à disposição não apenas para estudo, mas para alimento espiritual dos que não puderam partilhar de perto a trajectória excepcional de um ser humano cuja irradiação e apreço só irão aumentando à medida que as suas Obras Completas forem sendo publicadas, lidas e meditadas”, afirma Beozzo. Nascido em Fortaleza no mês de Fevereiro de 1909, D. Hélder Câmara destacou-se na luta contra a pobreza e a opressão, bem como pela busca de uma mudança na relação entre religião e política. Uma das suas frases mais célebres sintetiza esse espírito: “quando pedia pão para os pobres, todos me aplaudiam. Quando perguntava porque é que eles eram pobres, chamavam-me comunista”.

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