Carta Ecuménica: Igrejas oferecem uma «voz cristã unida no espaço público europeu»

Conferência Episcopal Portuguesa e Conselho Português das Igrejas Cristãs apresentaram documento que é «um dos fundamentos mais sólidos para a construção de uma paz duradoura»

Foto Agência ECCLESIA/HM, Apresentação da Carta Ecuménica em Portugal

Lisboa, 20 jan 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa afirmou hoje na apresentação da Carta Ecuménica que o documento é “um dos fundamentos mais sólidos para a construção de uma paz duradoura” e apresenta-se como  uma “voz cristã unida no espaço público europeu”.

Foto Agência ECCLESIA/HM, Apresentação da Carta Ecuménica em Portugal

Para D. Rui Valério, a Carta Ecuménica convida a “oferecer uma voz cristã unida no espaço público europeu”, nomeadamente “uma voz que não pretende impor-se, mas propor; que não nasce do poder, mas do serviço; que não ignora as feridas do passado, mas trabalha pela reconciliação e pela confiança no futuro”.

“Trata-se de um contributo indispensável para uma Europa que só reencontrará a sua alma se colocar no centro a pessoa humana e a sua vocação à comunhão”, afirmou o patriarca de Lisboa, em nome da Conferência Episcopal Portuguesa, referindo a necessidade de “reconhecer de forma irrenunciável as origens cristãs da própria Europa”, afirmou.

D. Rui Valério lembrou que, diante da lógia de confronto e exclusão na atualidade, “as Igrejas propõem uma outra gramática para a vida social e cultural: a gramática da escuta, do diálogo, da responsabilidade partilhada e do cuidadomútuo”.

Os caminhos de entendimento entre as Igrejas e entre as religiões revelam-se hoje um dos fundamentos mais sólidos para a construção de uma paz duradoura e de compromissos sociais verdadeiramente humanos”.

O patriarca de Lisboa, referiu que a Carta Ecuménica “não é apenas um documento de diálogo intereclesial”, mas também “um compromisso público das Igrejas com a humanidade concreta do nosso tempo”.

Foto Agência ECCLESIA/HM, Apresentação da Carta Ecuménica em Portugal

“Em Portugal, recebemos esta ‘Charta’ como um apelo à conversão ecuménica concreta: na oração comum, na ação social partilhada, na formação das novas gerações e no compromisso com uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. É neste horizonte que a Conferência Episcopal Portuguesa renova a sua disponibilidade para caminhar com as outras Igrejas cristãs, convicta de que, juntos, podemos servir melhor o bem comum e testemunhar com maior clareza o Evangelho da paz”, afirmou.

A Carta Ecuménica foi apresentada em Portugal numa sessão que decorreu na Universidade Católica Portuguesa pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e pelo Conselho Português das Igrejas Cristãs (COPIC).

Em nome do COPIC, o bispo da Igreja Lusitana, D. Jorge Pina Cabral, valorizou o facto da Carta Ecuménica ser apresentada no âmbito da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, afirmando que reflete a continuidade de um “caminhar por muitos já iniciado” e que se insere numa “peregrinação conjunta” entre as igrejas cristãs, destacando “novas áreas de missão num momento crucial para a Europa”, onde as Igrejas são chamadas a “ser sinal de unidade e esperança”.

Somos chamados a intervir pública e profeticamente nas questões que afetam a vida das pessoas e dos povos e aliar aos discursos um agir consequente”.

D. Jorge Pina Cabral referiu-se os temas da “construção da paz e da reconciliação, o acolhimento de migrante e refugiados, o trabalho com os jovens, o apelo urgente para a salvaguarda da criação de Deus e o aprofundamento das relações com a comunidade judaica e muçulmana”.

Foto Agência ECCLESIA/HM, Apresentação da Carta Ecuménica em Portugal

O bispo da Igreja Lusitana (comunhão Anglicana) disse que, no atual contexto da sociedade portuguesa, “assume particular importância a defesa da dignidade humana e a proteção dos migrantes, a promoção da liberdade de expressão e o evitar da polarização, a valorização do papel dos jovens e a proteção da mulher”, sublinhando também a “promoção do diálogo inter-religioso” e a “promoção das minorias religiosas” em Portugal.

“Que as igrejas contextualizem o seu agir na realidade social, política e religiosa, que o Portugal de hoje se apresenta”, sublinhou.

D. Jorge Pina Cabral disse que deve agora acontecer uma “natural receção e aplicação” da Carta Ecuménica e “deve ser trabalha aos diferentes níveis, nacional regional e local, não só níveis eclesiais, mas também da sociedade civil”.

O bispo da Igreja Lusitana indicou também que o documento assinado pelas Igrejas cristãs da Europa vai ser enviado “aos agentes políticos e civis” de Portugal, às organizações não-governamentais e às outras religiões.

A sessão de apresentação da Carta Ecuménica em Portugal encerrou com dois testemunhos sobre o trabalho desenvolvido junto das comunidades migrantes, nomeadamente da diácona Nívia Ivette Nuñez de La Paz, da Missão Lusitana Maria de Magdala, na Praia de Mira, e de Carmo Diniz, diretora executiva da Cáritas de Lisboa.

PR

O Conselho das Conferências Episcopais da Europa e a Conferência das Igrejas Europeias, que representam centenas de milhões de cristãos na Europa, assinaram uma nova versão da “Charta Oecumenica” no início de novembro de 2025, assumindo compromissos em defesa dos migrantes e do ambiente.

“Reconhecemos que a crise climática se tornou mais urgente; a guerra, as deslocações, a pobreza, o populismo, o uso indevido da religião e muitas dificuldades inter-relacionadas causaram grande sofrimento e elevada ansiedade”, indica o texto, assinado esta quinta-feira em Roma, que vai ser apresentado hoje ao Papa.

“A crise ecológica manifesta uma falha espiritual e ética no cumprimento da nossa vocação cristã. Exortamos todos a uma conversão ecológica que proteja a nossa casa comum”, acrescenta o documento, que atualiza a versão original de 2001.

Entre as novidades apresentadas estão capítulos dedicados à “paz e reconciliação”, à “migração”, à “juventude” e às “novas tecnologias”.

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