Organização explica utilização dos donativos recolhidos A Cáritas Portuguesa aplicou até ao momento 1,49 milhões de Euros em auxílio de Emergência e numa primeira fase de reabilitação das populações afectadas pelo maremoto de 26 de Dezembro, no sudeste asiático. Os outros 3,74 milhões de Euros recolhidos com os donativos dos portugueses serão aplicados em programas de reabilitação do médio e longo prazo. A acção do Departamento de Cooperação Internacional da Cáritas Portuguesa no Resto do Mundo é desenvolvida no âmbito da Cáritas Internationalis – plataforma que congrega todas as Cáritas no Mundo, através da qual são divulgados, entre outras acções, os apelos de ajuda humanitária de emergência a calamidades e desastres naturais. Este mecanismo conjunto – denominado SOA (Special Operation Appeal) – permite reunir os apoios e implementá-los no terreno. A Cáritas Portuguesa mobilizou-se, na medida dos seus recursos, para acções de emergência provocadas por catástrofes naturais em diversos pontos do globo. Iraque No âmbito da Campanha de Emergência SOA da Cáritas Internationalis, a Cáritas Portuguesa ofereceu a sua comparticipação solidária, enviando o donativo de €25.000,00 para apoio à reconstrução de algumas habitações, na região mais afectada pelo sismo. Uganda A contribuição da Cáritas Portuguesa para o Uganda materializou-se através da participação de toda a sociedade civil na Campanha “10 Milhões de Estrelas – Um gesto pela Paz”, a qual disponibilizou 25% da verba obtida para o apoio a crianças sem abrigo e mutiladas de guerra. Irão No âmbito da Campanha de Emergência SOA/ 2004 da Cáritas Internationalis, a Cáritas Portuguesa enviou um donativo de €25.000,00, para apoio à construção de salas de aulas e infantário na região mais afectada pelo sismo. Afeganistão A Cáritas Portuguesa associou-se ao programa SOA 33/2002 e apoiou o repatriamento de 449 famílias, a reconstrução de 100 casas e de uma escola e distribuição de bens alimentares. SUDESTE ASIÁTICO No dia 26 de Dezembro de 2004 ocorreu um terramoto de intensidade 8.9, na escala de richter, na ilha de Sumatra (Indonésia) que provocou tsunamis em todo o golfo de Bengala, chegando à costa africana e destruindo tudo por onde passou. Foram 12 os países afectados por esta catástrofe, sendo a Indonésia, Sri Lanka, Índia e Tailândia os países onde mais se fez sentir a devastação. Acções de Emergência Imediata da Cáritas Portuguesa A Cáritas Portuguesa em espírito e em acção solidária, com as vítimas da catástrofe no sudeste asiático, iniciou o diálogo com as Cáritas dos países afectados, bem como com a Cáritas Internationalis, no sentido de conhecer as necessidades no terreno e a melhor forma de agir e suprir essas mesmas necessidades. • A primeira acção ocorreu no dia 27 de Dezembro de 2004, na qual a Cáritas Portuguesa procedeu à abertura/lançamento de uma campanha de solidariedade a favor das vítimas que teve uma enorme aceitação por parte dos portugueses. A campanha, que terminou no dia 31 Março de 2005, atingiu o valor, em donativos, de 5 232 996,14 de Euros, uma generosidade excepcional, garantia do nosso empenho de longo prazo, em relação aos quatro países mais afectados. • Imediatamente a seguir à abertura da campanha, no dia 29 de Dezembro de 2004, procedeu-se ao envio de 7 toneladas de medicamentos, no valor de 25 000 Euros, para o Sri Lanka, a serem distribuídos pela rede Cáritas local, tendo sido este processo concertado com o IPAD (Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento). • Ainda em 2004, procedeu-se à transferência de 100 000 Euros para a Cáritas Internationalis, para apoiar actividades de emergência que estavam a decorrer. • No início do ano de 2005, comparticipámos, em 15 000 Euros, no apoio de uma equipa médica e, medicamentos, que estabeleceu a sua acção na zona de Medan, Indonésia. • Em diálogo com a Cáritas da Índia, comparticipámos na aquisição de 2500 kit’s familiares domésticos (compostos por lençóis, esteiras, utensílios de cozinha, fogão e vestuário) que foram distribuídos por alguns dos 128 campos de deslocados a cargo das Dioceses locais. Com esta acção apoiámos cerca de 10 000 pessoas (2500 famílias). O valor desta ajuda foi de 50 000 Euros. Reconstruindo a esperança depois do tsunami A Cooperação internacional da Cáritas Portuguesa, desenvolve-se através de um modelo de cooperação FRATERNA e SOLIDÁRIA, apoiando e acompanhando o crescimento das comunidades dos países em vias de desenvolvimento e, mobilizando ajuda em situações de crise humanitária. No quadro de uma catástrofe natural de grandes proporções como o tsunami, o trabalho em rede de equipas locais e internacionais deve ser articulado para um melhor contributo nas fases de urgência, pós-urgência, reabilitação, reconstrução e desenvolvimento. O conjunto destas etapas implica uma excepcional coordenação humana, técnica e financeira. Nas primeiras horas, as equipas da Cáritas da Índia, Sri Lanka, Tailândia, os parceiros Jesuit Refugee Service (JRS) e a International Catholic Migration Commission (ICMC) na Indonésia, associaram-se para assegurar a assistência alimentar e medicamentosa, distribuição de água potável e vestuário, construção rápida de abrigos temporários, bem como, prestar apoio psicológico aos familiares traumatizados e às crianças vulneráveis. Objectivos transversais de actuação nos Países Nos quatro países mais afectados, a rede Cáritas e seus parceiros preocuparam-se em apoiar a economia local, concentrando-se na reorganização, relançamento e desenvolvimento de actividades geradoras de rendimento, como por exemplo, o fabrico de tijolos ou actividades de carpintaria. A dinâmica do “cash for work – dinheiro por trabalho”, destinada a toda a população, insere-se nesta óptica, consciencializando, tanto os homens como as mulheres, da necessidade de reabilitar a sua aldeia ou comunidade. As pessoas recebem um salário em troca de diversos trabalhos como a remoção dos escombros, armazenamento de destroços ou reconstrução de estradas secundárias. É importante que as pessoas não fiquem inactivas ou sem assistência e que, sejam envolvidas nas actividades de pós-emergência, como a construção dos seus abrigos temporários, reabilitação ou construção das próprias habitações. Desta forma, estão reunidas algumas condições para que não cedam ao traumatismo e ao sentimento de perda. As crianças são extremamente sensíveis a estes sinais que são a prova tangível do que a vida pode ser. Uma urgência de tal amplitude faz gerar fundos importantes e pouco habituais. Os nossos parceiros no terreno não têm, necessariamente, os recursos humanos suficientes, de modo a assegurar a realização destes programas porque a prossecução das suas actividades habituais não o permite. A cooperação dos expatriados da rede Cáritas tem um papel relevante nestas emergências. As equipas no terreno, paralelamente com as organizações locais, sensibilizam as comunidades para a elaboração de programas de prevenção de calamidades e gestão de alertas. Existe um empenho em assegurar programas de reabilitação rigorosos e realistas. Cada projecto segue uma sequência precisa, validada através de actividades previamente definidas, de acordo com medidas e índices de necessidade adoptados, acompanhadas dos financiamentos necessários à sua execução. Cada despesa está assim validada e justificada. A Cáritas Internationalis, com a participação das Cáritas dos Países afectados, considerando a necessidade de assegurar uma boa e rigorosa aplicação dos fundos doados, bem como, uma gestão transparente e potenciadora de melhores resultados e, tendo ainda em conta, as limitações dos poderes nacionais e locais para assegurarem os instrumentos de decisão e planeamento, próprios e exclusivos das Autoridades Públicas (como por exemplo, aprovar a localização de novas urbanizações ou tipologias de construções), definiram uma estratégia baseada no diálogo, que passou pela identificação de várias fases, para a aplicação dos referidos fundos, tendo presente a realidade de cada um dos países. A Confederação Cáritas Internationalis, da qual a Cáritas Portuguesa faz parte, conseguiu reunir, através da sua rede mundial, mais de 500 milhões de Euros. As afectações, para a fase de emergência e início de reabilitação (do inicio da catástrofe até Dezembro de 2005), foram de 15,7 milhões de Euros para a Indonésia, 124 milhões de Euros para o Sri Lanka, incluindo os 34 milhões de Euros da fase de urgência, 60 milhões de Euros para a Índia e 3,2 milhões de Euros para a Tailândia. Relatório completo em www.caritas.pt
