Cardeal Saraiva Martins explica «como se faz um santo»

O cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação Vaticana para as Causas dos Santos desde 1998, participou na semana passada, em Roma, na apresentação do livro “Como se faz um santo”. A obra, editada pela Piemme, resulta de uma longa entrevista de Saverio Gaeta, chefe de redacção da “Famiglia Cristiana”, ao purpurado português. Este livro-entrevista revela que, desde que o Cardeal Saraiva Martins é prefeito daquele dicastério da Cúria Romana, já houve 545 beatificações e 203 canonizações, que correspondem a mais da quarta parte dos 2.932 homens e mulheres elevados aos altares desde 1588, ano em que o Papa Sixto V constituiu a Congregação para as Causas dos Santos. Naquela contagem não entram as beatificações e canonizações realizadas após a Páscoa de 2005. Saverio Gaeta teve a possibilidade de ler alguns relatos dos milagres obtidos por intercessão dos beatos e santos, bem como as chamadas “positio” que permitem compreender por que uma pessoa é declarada santa numa cerimónia pública, presidida ou não pelo Papa. No dia da apresentação do livro, aquele jornalista afirmou que, nas leituras que fez dos processos, ficou impressionado «com a grande quantidade de pessoas consideradas dignas de interceder junto de Deus», e por isso apontadas como «guias» e «modelos» para todos os católicos. No livro contam-se estórias e pormenores curiosos, por exemplo sobre o que alguns beatos e santos fizeram até à sua conversão a Deus e à Igreja. Ao mesmo tempo apontam-se as características da santidade. Na sua intervenção e depois em declarações à agência Zenit, o Cardeal Saraiva Martins explicou que «a santidade consiste em viver em plenitude o mistério pascal», o que implica a alegria mais do que o sofrimento. «Ser santo quer dizer viver em toda a sua radicalidade o mistério pascal, o mistério que é a fonte da alegria cristã», acrescentou. O purpurado reconheceu o perigo da eleição dos santos favoritos, mas desvalorizou esta crítica ao afirmar que «todos os santos são para amar». E citou o Papa Bento XVI que em Colónia, em Agosto deste ano, referiu que «os santos indicam-nos o caminho para ser feliz e mostram-nos como se consegue ser pessoas verdadeiramente humanas ». Disse também que são os santos «que fazem a história », que eles é que são «os grandes revolucionários da história». Um exemplo? «Pensemos em São Francisco de Assis», respondeu o Cardeal Saraiva Martins, referindo-se ao Santo cuja festa é celebrada hoje em todo o mundo, mas principalmente em Itália. Neste livro apresentado no Instituto Augustinianum de Roma não se fala apenas de beatos, santos e de santidade. Algumas das suas páginas são dedicadas ao entrevistado: Saverio Gaeta traça o perfil do Cardeal Saraiva Martins, relata o que o purpurado português faz enquanto prefeito da Congregação Vaticana para as Causas dos Santos, falando também dos seus compromissos pastorais fora do Vaticano. A profunda devoção do Cardeal Saraiva Martins à Virgem Maria, inculcada pela sua mãe, e a frequente oração a Santo António de Lisboa — «que não decepciona os que recorrem à sua poderosa intercessão», afirmou — também são referidas neste livro-entrevista à venda nas livrarias de Itália.

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