Cardeal-Patriarca defende dignidade da função legislativa

Missa de Abertura do Ano Judicial O Cardeal-Patriarca de Lisboa pediu hoje à sociedade portuguesa que valorize o trabalho dos agentes da justiça, lembrando que “no contexto das nossas sociedades, o mal e o bem, quer pessoal, quer social, são definidos pela Lei, o que traz uma densidade acrescida à função legislativa”. “A dignidade de uma sociedade depende, em grande parte, da justeza das suas leis”, assegurou. Na homilia da missa promovida por um grupo de cristãos por ocasião da Solene Abertura do Ano Judicial, D. José Policarpo deixou uma saudação especial para “todos aqueles e aquelas que, no nosso País, trabalham para a administração e promoção da Justiça”. O Ministro da Justiça, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, os Presidentes dos outros Tribunais Supremos, o Procurador-Geral da República e o novo Bastonário da Ordem dos Advogados foram especialmente mencionados, com o Cardeal-Patriarca a pedir “luz e força neste início da sua missão”. Falando da Justiça “como um valor global basilar para a construção de uma sociedade digna do homem e do seu mistério”, D. José Policarpo vincou que “a administração da Justiça só encontra o contexto favorável numa sociedade que aprecia e busca a Justiça, o que supõe um quadro de valores e um modelo de sociedade”. “Em todas as circunstâncias é possível estabelecer um diálogo entre pessoas, que faça sobressair a verdade da Justiça e aproxime os homens como irmãos”, apontou. Aos presentes, o Patriarca deixou uma pergunta em forma de desafio: “quem é que as vítimas inocentes do mal dos outros, os que praticaram o mal e merecem ser tratados com Justiça e dignidade, sentem ser o seu próximo?”. “Só podem administrar bem a Justiça os promotores da Justiça, os que sabem que o mal nas nossas sociedades não se pode vencer com o mal”, acentuou o Cardeal-Patriarca. A opção por falar das relações entre o Evangelho e a Justiça foi justificado por D. José Policarpo pelo facto de Lisboa acolher em 2005 a terceira sessão do Congresso Internacional da Nova Evangelização, e propor “em diálogo com a sociedade”, a figura de Jesus Cristo e o seu Evangelho “como referências absolutas para a luz que conduz todo o esforço pela implementação na sociedade, de tudo o que é bom e justo”. O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa deixou ainda uma nota forte aos responsáveis políticos, assinalando que laicidade do Estado que está constitucionalmente afirmada será sempre respeitada pela Igreja “desde que o Estado não se confunda com a sociedade”, que não é laica, mas plural. A homilia do Cardeal-Patriarca • A Justiça é a promoção da Verdade e do Bem

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