Situação no Darfur continua a ser crítica O cardeal sudanês Gabriel Zubei Wako, arcebispo de Cartum, condenou a passividade do governo do Sudão em relação ao drama do Darfur, onde as milícias “Janjaweed” semeiam a destruição. “Não me parece que haja uma vontade do governo sudanês de intervir para travar as milícias; de outro modo, teriam permitido que as Nações Unidas e a União Africana actuassem com maior rapidez no Darfur”, disse D. Wako, de passagem por Roma para o simpósios dos Bispos da África e da Europa. O governo sudanês é acusado de abandonar a região ocidental do Darfur, pela sua população ser maioritariamente negra, e de financiar as milícias árabes “Janjaweed”. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) anunciou na semana passada que vai deixar a região sudanesa de Darfur como forma de protesto contra as restrições governamentais. O demissionário secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, também se insurgiu contra as autoridades sudanesas, classificando de “inaceitável” o assalto das forças de segurança contra um campo de refugiados da região. O governo de Cartum tem impedido, desde finais de Outubro, que os elementos do ACNUR saiam de Nyala, no Sul. Também impôs proibições às deslocações depois do incidente de 20 de Outubro, quando membros do ACNUR e outros activistas humanitários da ONU tentaram impedir as autoridades de obrigar refugiados a deixaram uma área nas imediações de Nyala. Os 21 meses de violência deixaram dezenas de milhares de mortos e levou 1,8 milhões de pessoas a abandonar as suas casas, segundo responsáveis estrangeiros. Cerca de 200 mil pessoas estão agora no vizinho Chade.
