Centenas de populares estiveram presentes ao início da tarde numa marcha silenciosa em defesa da vida, que terminou em frente ao Parlamento. O movimento “Mais Vida, Mais Família” quis, desta forma simbólica, mostrar a sua posição no dia em que os deputados volta a debater a interrupção voluntária da gravidez. O movimento cívico entregara ontem, ao Presidente do Parlamento, cerca de 190 mil assinaturas contra a despenalização do aborto, um número que para os promotores da iniciativa expressa “a vontade dos portugueses”. “Esta é uma questão ideológica recorrente que serve de arma de arremesso político-partidária”, acusou José Paulo Carvalho, um dos promotres da iniciativa, numa reacção aos projectos de despenalização do aborto durante as primeiras semanas de gravidez, da autoria do PS, PCP e Bloco de Esquerda, que estão em discussão pelos deputados esta quarta-feira. As propostas da oposição visam a realização de um novo referendo sobre a questão do aborto, mas deverão ser chumbadas pelos partidos da maioria governamental. A deputada independente eleita pelo PS, Maria do Rosário Carneiro, prepara-se para apresentar uma outra proposta sobre a questão da interrupção voluntária da gravidez, apurou a Renascença. Esta proposta deverá ir no mesmo sentido das teses defendidas por Freitas do Amaral. No final do debate, seguido das votações dos oito projectos em discussão, apenas deverá ser aprovado um diploma da maioria que recomenda ao Governo o “combate às causas que levam à prática do aborto”.
