Papa continua a melhorar João Paulo II continua a recuperar satisfatoriamente da traqueotomia a que foi submetido há uma semana e segue quotidianamente a actividade da Santa Sé. Estas foram as últimas indicações oficiais avançadas pelo Vaticano, sem que se saiba, contudo, qualquer data precisa para o fim do internamento na Clínica Gemelli. Joaquín Navarro-Valls, porta-voz do Vaticano, confessou hoje aos jornalistas que o Papa “tem muita vontade de regressar ao Vaticano”, mas é possível que permaneça ainda por vários dias no 10º andar do hospital romano. Perante a insistência da imprensa, Navarro-Valls acabou por admitir que a Páscoa seria a altura provável para a alta. “Falarei da alta do Papa quando os médicos ma comunicarem, não há nenhuma data precisa. Não vou avançar com previsões porque elas poderão mudar, tanto num sentido positivo como negativo”, afirmou. A saúde do Papa “continua a melhorar e dar mostras de progressos”, refere o comunicado oficial do Vaticano Navarro-Valls disse aos jornalistas que João Paulo II tem recebido os seus colaboradores, nos últimos dias, “com os quais segue quotidianamente a actividade da Santa Sé e a vida da Igreja”. O trabalho do Papa no hospital foi hoje mais visível com a publicação de uma mensagem dirigida à Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. O documento, publicado pela sala de imprensa da Santa Sé, tem a data de hoje e é assinado pelo Papa “do Policlínico Gemelli”. Além deste documento, e como tinha feito ontem, João Paulo II procedeu a nomeações episcopais. No breve boletim sobre a saúde do Papa, o primeiro oficial desde segunda-feira, é reafirmado que “o Papa come regularmente e passa várias horas por dia no sofá”. As sessões diárias de reabilitação da respiração e da fala continuam “com a activa colaboração do Santo Padre”, de acordo com o Vaticano. Em declarações à Rádio Vaticano, Navarro-Valls acrescentou que João Paulo II “passa longos períodos de tempo na capela que foi instalada nos seus aposentos do hospital”. O organizador das viagens pontifícias até 2001, Cardeal Roberto Tucci, lembrou à Rádio Vaticano que o Papa sempre cultivou “relações de afecto e oração com os doentes de todo o mundo”. “Desde a primeira viagem ao México, em 1979, o Papa sempre quis incluir na sua agenda um encontro com os doentes e pediu que fossem eles a ocupar a primeira fila nas Missas”, afirmou. Angelus O porta-voz do Vaticano não quis adiantar à emissora pontifícia qualquer detalhe sobre a eventual participação do Papa no Angelus do próximo Domingo. João Paulo II surpreendeu os católicos de todo o mundo, no passado dia 27 de Fevereiro, ao vir à janela do seu quarto saudar os fiéis reunidos diante da Clínica Gemelli. “Ainda que tenha de confirmar esta informação no sábado, a minha impressão é que se fará como no Domingo passado”, deixou escapar. Joaquín Navarro-Valls defendeu-se das acusações de pouca transparência na informação sobre o estado de saúde de João Paulo II, afirmando que “todas as informações de carácter clínico que estão no boletim do Vaticano emanam sempre da equipa médica, coordenada pelo médico pessoal do Papa, Renato Buzzonetti”. Questionado sobre a grande pressão mediática que rodeia este novo internamento do Papa, o porta-voz do Vaticano considerou que, de modo geral, “a ideia que fica é a do grande interesse pela figura extraordinária de João Paulo II”, “a maneira como o mundo se sente próximo do Papa”. “Há certos casos em que as pessoas vão a detalhes irrelevantes, mas parece-me que são uma minoria”, acrescentou. Ainda hoje, o Patriarca Alexis II enviou um telegrama ao Papa, no qual deseja que João Paulo II “recupere rapidamente as suas forças”. Navarro-Valls disse ainda à Rádio Vaticano que o calendário das celebrações da Páscoa não foi alterado, explicando que “o que o Papa deverá decidir, quando regresse ao Vaticano, são as modalidades da sua participação”.
