Cardeal Parolin foi enviado do Papa nos 800 anos da Catedral de São Miguel e Santa Gudula

Bruxelas, 12 jan 2026 (Ecclesia) – O secretário de Estado do Vaticano afirmou este domingo, em Bruxelas, que o Cristianismo propõe valores essenciais para a sociedade, sublinhando que a paz verdadeira é mais do que “equilíbrio dos medos”.
“A paz nasce do reconhecimento do outro e não do equilíbrio dos medos”, declarou o cardeal Pietro Parolin, na homilia da Missa a que presidiu na capital belga, como legado pontifício para as comemorações dos 800 anos da Catedral de São Miguel e Santa Gudula.
Numa análise à atualidade do continente, o representante do Papa identificou um tempo marcado por “fragilidades, medos e divisões”, não apenas políticas ou sociais, mas também “internas e culturais”.
“Neste contexto, o cristianismo não oferece soluções técnicas, mas propõe, de forma sóbria, mas decidida, valores humanos essenciais”, sustentou o cardeal, lembrando que a justiça só cresce “incluindo e não separando”.
Numa intervenção divulgada pelo portal ‘Vatican News’, o cardeal Pietro Parolin descreveu Bruxelas como “um dos lugares onde a Europa procura repensar-se e construir-se”, um cruzamento de povos que deve lembrar que o projeto europeu “nasce do encontro e da capacidade de manter juntas as diferenças”.
O secretário de Estado evocou os “pais fundadores” – Robert Schuman, Konrad Adenauer e Alcide De Gasperi –, elogiando a sua capacidade de imaginar o continente “não como uma mera aliança de interesses, mas como uma comunidade fundada na reconciliação”.
Sobre o papel da comunidade católica na sociedade secularizada, D. Pietro Parolin defendeu que a Igreja enfrenta o desafio de não perder a sua “audácia evangélica”.
“A Igreja enfraquece quando deixa de ser o sal que dá sabor, a luz que ilumina”, alertou, explicando que a instituição “não se impõe sobre a história”, mas atravessa-a como uma presença que “acompanha, discerne e serve”.
A celebração marcou o VIII centenário da catedral de Bruxelas, cuja construção se iniciou em 1226, tendo o legado pontifício transmitido a “proximidade espiritual” do Papa Leão XIV à família real belga e à Igreja local.
OC
