Bragança-Miranda: «A verdadeira paz não pode conviver com o terror», afirma bispo, apelando ao desarmamento

Catedral diocesana acolheu Eucaristia no primeiro dia de 2026, presidida por D. Nuno Almeida

Foto: Agência ECCLESIA/PR

Bragança, 01 jan 2026 (Ecclesia) – O bispo de Bragança-Miranda defendeu esta tarde o desarmamento para alcançar a “verdadeira paz”, na Missa do primeiro dia do ano, na catedral diocesana.

“Como nos adverte o Papa, tal aparato bélico e militar consome recursos preciosos que deveriam ser destinados ao desenvolvimento integral dos povos, à saúde e à educação. A verdadeira paz não pode conviver com o terror; ela exige a confiança mútua, algo que as armas jamais poderão construir”, afirmou D. Nuno Almeida, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.

Segundo o bispo diocesano, “a paz sustentada pelo medo da retaliação, pelo equilíbrio de arsenais nucleares ou pela sofisticação de ataques cibernéticos é uma paz falsa, uma quimera instável”.

Recordando a mensagem de Leão XIV para o 59º Dia Mundial da Paz, que se assinala hoje, D. Nuno Almeida destacou que o pontífice “é cirúrgico ao apontar que o desarmamento material deve ser precedido pelo desarmamento moral e do coração”.

Enquanto houver ‘armas’ nos nossos pensamentos, nos nossos sentimentos, nos nossos discursos, nas nossas posturas ideológicas polarizadas, as armas continuarão a encontrar mãos dispostas a dispará-las”, referiu o bispo.

Na solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, D. Nuno Almeida enfatizou que “a paz desarmada exige a coragem de romper com a dialética do inimigo, vendo no outro — mesmo naquele que errou — não uma ameaça a ser eliminada, mas um irmão e uma irmã a ser resgatado e reintegrado”.

Sobre a “paz desarmante”, conceito a que o Papa aludiu no texto, o bispo entende que “a bondade, a verdade e a beleza possuem uma autoridade intrínseca capaz de “desarmar” a agressividade alheia”.

“Não se trata de rendição perante o mal e perante a violência, nem de passividade ou covardia; é uma atitude ativa e corajosa que retira do agressor a justificativa para a continuidade da violência. Uma paz desarmante é aquela que constrange o mal pela superabundância do bem”, indicou.

O bispo de Bragança-Miranda assinalou a necessidade de “uma grande inundação de bondade, verdade e beleza” na sociedade, que “hoje pode acontecer através das redes sociais usadas, por tantos, para difundir o ódio, a mentira e ideologias muito feias, tais como o racismo e a xenofobia”.

“Nos ambientes de trabalho, na escola, no desporto, na sociedade em geral, nas comunidades cristãs, nas famílias … somos chamados a ser uma presença desarmante e reconciliadora sempre que surge o conflito”, mencionou.

Relativamente aos novos desafios tecnológicos, a que o Papa também alude na mensagem com o título ‘Rumo a uma paz desarmada e desarmante’, D. Nuno Almeida alertou para o facto de que se “a inteligência artificial e os algoritmos “não forem submetidos a uma “algorética” humanista, podem criar sistemas de morte autónomos e amplificar o ódio nas redes sociais, criando ‘bolhas’ de intolerância que transbordam para as ruas”.

Diante disso, a presença cristã deve ser ‘desarmante’: devemos humanizar a técnica, inserindo nela o ‘coração’ que a máquina jamais terá. A nossa caridade social e a nossa unidade eclesial devem ser tão evidentes que ‘desarmem’ o ceticismo e o cinismo a alastrar hoje na nossa sociedade”, ressaltou.

Ao iniciar um novo ano, colhendo os frutos espiritais do Jubileu 2025, dedicado à esperança, D. Nuno Almeida impeliu todos a ser “artesãos da paz, semeando a verdade, multiplicando gestos de bondade e difundindo a beleza”.

“Que o Menino do Presépio nos inspire. A paz desarmada começa quando nos dispomos sempre a recomeçar a amar. A paz desarmante acontece quando o nosso perdão é maior que a ofensa recebida. Que Maria, Rainha da Paz, que segurou em seus braços o Príncipe da Paz, interceda por nós”, pediu.

No final da homilia, o bispo de Bragança-Miranda exprimiu o desejo de que “o luminoso magistério do Papa Leão XIV encontre solo fértil” nos corações transmontanos, “para que, depostas as armas do ódio, do medo e do egoísmo”, diocese possa caminhar junta na “construção da civilização do amor, onde a justiça e a paz se abraçarão”.

“Com gestos e palavras de paz “desarmada e desarmante” procuremos globalizar a fraternidade, pois há um só Deus e uma só Humanidade de filhos e de irmãos!”, incentivou, terminado a partilhar a letra de uma canção relacionada com o tema.

LJ

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