II Encontro Arquidiocesano de Pastoral Litúrgica reuniu padres, diáconos e leigos em três locais da cidade, com D. José Cordeiro a defender que criatividade «não pode ser ativismo»

Braga, 26 jan 2026 (Ecclesia) – O subsecretário do Dicastério para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos (Santa Sé) defendeu em Braga que a Liturgia nunca pode ser vista como uma “peça de museu”, apelando a uma “criatividade na fidelidade” para garantir a participação dos fiéis.
“A Igreja entregou-nos a Liturgia, mas não é uma Liturgia monolítica, fossilizada, mas antes uma Liturgia que muda de acordo com as necessidades dos fiéis”, afirmou D. Aurelio García Macías, durante o II Encontro Arquidiocesano de Pastoral Litúrgica, que decorreu este sábado.
Segundo nota divulgada online pela Arquidiocese de Braga, a partir da reportagem do ‘Diário do Minho’, o responsável da Santa Sé alertou para os riscos de celebrações “antropocêntricas” que esqueçam o primado de Deus e insistiu que “a fidelidade aos ritos é indispensável para salvaguardar a fé”.
“A fidelidade não impede a criatividade, que ajuda os fiéis a viverem melhor a liturgia”, sustentou o antigo presidente da Associação Espanhola de Professores de Liturgia, perante uma plateia de sacerdotes, diáconos e agentes pastorais reunidos no Auditório Vita.
O encontro, subordinado ao tema ‘Participar com Criatividade’, mobilizou intervenientes de vários ministérios e decorreu em simultâneo na Capela Imaculada, no Centro Pastoral e na Catedral.
O arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, sublinhou a importância de uma “formação integral” para evitar o improviso.
“É indispensável trazer criatividade à participação na Liturgia, mas a criatividade não pode ser ativismo, não pode ser improviso, tem de se fazer com arte e com alma”, declarou.
D. José Cordeiro reforçou a necessidade de interligar Catequese, Liturgia e Caridade, alertando que a formação litúrgica é essencial para que cada um saiba “não apenas como fazer as coisas, mas o porquê”.
O programa incluiu ainda workshops, adoração eucarística e testemunhos, terminando com a Missa na Sé de Braga, presidida por D. Aurelio García Macías.
Já este domingo, quatro jovens seminaristas da Arquidiocese de Braga foram instituídos no ministério dos acólitos, numa celebração que encheu a Igreja de São Paulo e foi presidida pelo arcebispo primaz, D. José Cordeiro.
Adélio Ferreira (Arciprestado de Barcelos), Luís Casanova (Vila do Conde/Póvoa de Varzim), José Miguel Silva (Amares e Terras de Bouro) e Rúben Pinheiral (Esposende) deram assim mais um passo na caminhada que visa a ordenação sacerdotal.
“Ser acólito é fazer esta experiência de serviço ao altar, ao pão partido e repartido, aos doentes, aos que mais precisam, aos pobres, ao corpo de Cristo, que é a Igreja”, explicou D. José Cordeiro, durante o rito de instituição, onde entregou a cada um dos jovens um vaso, símbolo do novo serviço.
O arcebispo metropolita sublinhou que este ministério implica uma “inserção cada vez mais progressiva e mais consciente no mistério de Cristo”, frisando que Deus chama “no quotidiano”, e não apenas em ambientes de recolhimento.
Na homilia, o responsável católico destacou que a “conversão é permanente” e desafiou todos os presentes a uma renovação pastoral e missionária.
“Nós às vezes pensamos que Ele nos chama só num ambiente assim mais recolhido, de silêncio, de contemplação, no santuário, numa igreja. Mas chama-nos no quotidiano. Porque Deus está onde nós estamos”, concluiu D. José Cordeiro.
OC
