Braga: Arcebispo defende que falta de condições mínimas para viver de forma digna compromete «plenitude da paz»

D. José Cordeiro fez referência ao número de pessoas sem-abrigo na cidade e concelho, que aumentou em 2025

Braga, 01 jan 2026 (Ecclesia) – O arcebispo metropolita de Braga relacionou hoje a plenitude da paz com o acesso a condições mínimas para viver de forma digna, na Missa do primeiro dia do ano a que presidiu na catedral da cidade.

“Há muitos fatores que nos podem impedir de viver a plenitude da paz, e a incapacidade de ter as condições mínimas para viver de forma digna é uma delas”, referiu D. José Cordeiro, na homilia, indicando como exemplo o número de pessoas em situação de sem-abrigo em Braga, que aumentou em 2025.

“Os dados mostram que em dezembro de 2025 viviam em situação de sem-abrigo 242 pessoas: 182 pessoas sem casa, acolhidas em locais de alojamento temporário, e 60 pessoas sem teto”, revelou, no Dia Mundial da Paz.

O arcebispo destacou que o “grande aumento em relação a 2024 explica-se, principalmente, pela escassez de casas disponíveis face à procura”, acrescentando que Braga “tem aumentado a sua população com os recentes fluxos migratórios, sendo, além disso, uma cidade muito procurada por turistas e por estudantes”.

“O Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem Abrigo de Braga identificou como prioritária a criação de um Albergue”, explicou.

Na homilia na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, D. José Cordeiro salientou que a paz é “um dom divino que vai muito além da ausência de guerra”, mencionando o exemplo de muitas nações do mundo.

“Basta pensarmos que muitas pessoas vivem em países que não estão em guerra, como o nosso, mas não conseguem viver a verdadeira paz, porque a verdadeira paz implica a harmonia de todas as vertentes da condição humana – física, psicológica e espiritual – e implica, sobretudo, a reconciliação com Deus através de Jesus Cristo”, referiu.

Nesse sentido, D. José Cordeiro frisou que não basta pedir apenas o fim dos conflitos, mas trabalhar “em conjunto para ir eliminando as injustiças” da sociedade, que contribuem para a falta de paz: “a riqueza mal distribuída, com tanto nas mãos de tão poucos; as desigualdades no acesso aos cuidados de saúde; as dificuldades em alugar uma casa; a falta de acolhimento aos migrantes; entre outras”.

Na conclusão da homilia, o arcebispo de Braga realçou a paz como a presença de Cristo em todos e como um caminho que o próprio Cristo indica: “Os gestos concretos de bondade que cada um de nós põe em prática no dia-a-dia são os que constroem a paz que desarma”.

O Dia Mundial da Paz, instituído em 1968 pelo Papa Paulo VI (1897-1978), é celebrado pela Igreja Católica no primeiro dia do novo ano.

LJ

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