Arcebispo presidiu à celebração que assinalou o 936º aniversário da dedicação, na qual lembrou «as pessoas que ao longo do tempo foram construindo a Igreja que peregrina em Braga»

Braga, 29 ago 2025 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga presidiu esta quinta-feira à celebração do 936º aniversário da dedicação da Sé primaz, fazendo “memória do passado, do muito que aconteceu como graça”.
“Não comemoramos as pedras que edificam este templo, o qual, nas diversas épocas, foi conhecendo diferentes remodelações, mais ou menos profundas. Celebramos, sim, as pessoas que ao longo do tempo foram construindo a Igreja que peregrina em Braga a partir da casa de todos”, afirmou D. José Cordeiro, na homilia da Eucaristia, na catedral.
Segundo D. José Cordeiro, “a Sé primaz representa toda a Arquidiocese e é a fonte da vida da Arquidiocese”.
“É lugar de oração, de escuta da Palavra e de encontro com Deus e com os outros, porque a catedral tem de ser expressão de uma comunidade que quer viver unida pela fé, pela liturgia e pela caridade”, enfatizou.
O arcebispo de Braga assinalou que “as pedras pode ser velhas, mas a construção é nova”, destacando que a Sé primaz de Braga “é antiga, a mais vetusta em Portugal” e que comemora “936 anos da sua dedicação sob o olhar materno de Santa Maria de Braga”.
A Sé primaz tem sido uma bússola física e espiritual da Igreja peregrinante na Arquidiocese bracarense”, sublinhou.
Na homilia, o arcebispo defendeu que a “aptidão primordial de uma igreja Catedral não é a de ser um museu ou tesouro de obras de arte, nem de ser um lugar turístico ou sala aprazível de concertos, mas antes de tudo, o centro espiritual e litúrgico da Igreja local”.
Por isso, acrescenta, “a importância da liturgia celebrada na Sé não é de ordem cerimonial, mas teológico”.
“A qualidade e a beleza da evangelização e celebração litúrgica, da arquitetura, das artes, nomeadamente, a escultura, a pintura, os vitrais, a ourivesaria, os mármores, as pedras, os tecidos, os sinos, o canto, a música, a oração, a cultura e a caridade pastoral são eloquentes e comprometem o Arcebispo, o Cabido, o Presbitério e todo o Povo Santo de Deus”, indicou.
A Igreja Católica está a viver o Ano Santo da Esperança, o 27.º jubileu ordinário da sua história, que, assinala D. José Cordeiro, “experiencia-se também na peregrinação jubilar” à Sé Primaz.
O arcebispo de Braga deu conta que “7 dos 13 arciprestados já realizaram a feliz e esperançosa peregrinação” – Amares e Terras de Bouro, Barcelos, Braga, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Fafe e Guimarães e Vizela – e que “dos milhares de pessoas peregrinas, muitas centenas vieram pela primeira vez à Sé primaz”.
No final da homilia, D. José Cordeiro constatou que “cada tempo teve os seus desafios” e o o aquele que se vive agora traz “a responsabilidade de, olhando o passado, viver o presente e projetar o futuro com esperança e coragem”.
“Cabe-nos a nós, hoje, renovar e não descurar esta missão por mais difíceis que os obstáculos possam parecer, para que a aliança entre Deus e o seu povo se materialize na vida de cada dia”, ressaltou.
A Sé de Braga começou a ser construída nos finais do século XI, sendo solenemente sagrada pelo bispo D. Pedro e dedicada à Virgem Maria, no dia 28 de Agosto de 1089.
Esta foi a primeira catedral portuguesa a ser construída, quando Portugal, enquanto país, ainda não existia e é um imóvel classificado como Monumento Nacional desde 23 de Junho de 1910.
LJ/PR