Bispos portugueses definem novas estratégias para atrair jovens ao sacerdócio

A Igreja Católica portuguesa está preocupada com a falta de vocações para o sacerdócio e está a preparar novas formas de cativar os jovens para essa missão. D. Tomaz Nunes, secretário-geral da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), disse ontem que a Assembleia Plenária dos Bispos aprovou um documento orientador da pastoral das vocações que aponta no sentido de “incentivar uma cultura vocacional na sociedade civil e eclesial”. “É preciso que a Igreja apresente propostas apelativas”, disse D. Tomáz Silva Nunes, “pois não podemos ficar à espera que as pessoas venham ter connosco dizendo ‘Eu acho que tenho vocação’. É preciso lançar desafios, convidá-los, fazer-lhes propostas e sobretudo criar comunidades vivas”. “A questão das vocações sacerdotais diz respeito a toda a comunidade cristã e deve merecer o total empenho da Igreja, que se está a deparar com uma carência de sacerdotes”, acrescentou. Essa carência vai aumentar nos próximos anos, com a reforma de muitos dos padres actualmente no activo. Quanto ao futuro serviço nacional da pastoral das vocações, D. Tomaz Nunes explicou que será um “lugar de convergência e de partilha de iniciativas” entre as estruturas diocesanas, de modo a articular estratégias de atracção dos jovens, desde retiros a acções especificamente dedicadas àqueles que sentem o chamamento do sacerdócio. Nesse sentido, as paróquias vão ser incentivadas a detectar e apoiar os jovens desde a catequese à universidade, para que no momento em que “sintam o chamamento” sejam “apoiados e enquadrados” pelas estruturas da Igreja. Em particular, será dada atenção aos acólitos, que já “prestam um serviço muito importante e estão muito familiarizados com a Igreja”, sublinhou o secretário-geral da CEP. Esta orientação vem no sentido da chamada de atenção feita por João Paulo II na última carta aos Sacerdotes por ocasião da Quinta-feira Santa. Nessa altura, apesar de o Papa ter falado numa “primavera vocacional”, a Santa Sé comunicou que entre 1961 e 2001 o número de padres baixou na Europa (passou de 250.859 para 206.761) e na América do Norte (de 71.725 para 57.988). Mesmo tendo em conta um significativo aumento de padres no resto do mundo, com o crescimento do número de fiéis a proporção passou, nos últimos anos, de um padre por 1800 católicos para um padre por 2619 crentes. De acordo com o Secretariado Geral da Conferência Episcopal Portuguesa (Anuário Católico de Portugal, 2003), o nosso país conta com 9.404.000 católicos para um total de sacerdotes que ronda os 4.300. A relação é, assim, de 1 sacerdote para cada 2.200 católicos, ainda assim, melhor do que a média mundial. Apesar desta situação, a esmagadora maioria das paróquias é administrada pastoralmente por sacerdotes (4.322) e apenas perto de 40 (0,9%) são administradas por diáconos, religiosas e leigos. D. Tomaz Silva Nunes adiantou que os bispos estão a reflectir sobre o diaconado permanente ou as funções que são assumidas por leigos em algumas celebrações, de modo a incrementar estas estruturas, nomeadamente em locais onde existe uma maior carência de padres. A Assembleia Plenária encerra-se hoje com uma eucaristia presidida pelo Núncio Apostólico, D. Alfio Rapisarda, em acção de graças pelos 25 anos da sua nomeação episcopal.

Partilhar:
Scroll to Top