Bispos franceses denunciam restrições à liberdade religiosa no país

O presidente da Conferência Episcopla Francesa (CEF), arcebispo Jean-Pierre Ricard, denunciou esta manhã as dificuldades encontradas pela Igreja Católica desde que é aplicada a lei que interdita os símbolos religiosos ostensíveis nas escolas públicas. “O medo de um Islamismo militante tem sido acompanhado de uma vontade de restringir as expressões da liberdade religiosa para todas as religiões”, declarou D. Ricard na abertura da assembleia plenária de outono da CEF. O prelado criticou ainda os partidários de uma “secularização completa da sociedade” e da expressão “escola pública, santuário da República, em que as religiões ficam à porta”. Citando João Paulo II, o arcebispo de Bordéus assegurou que “não pode haver liberdade religiosa se não houver liberdade de expressão e a possibilidade de comunicação do pensamento”. No início dos seus trabalhos, os Bispos franceses evocaram as vítimas do terrorismo e exprimiram solidariedade para com a região dos Grandes Lagos, onde recentemente esteve uma delegação da CEF. Episcopado francês debate reestruturação A assembleia plenária da CEF decorre de 4 a 9 de Novembro, em Lourdes. Dois temas marcam a agenda destes dias: a reforma das estruturas da própria Conferência Episcopal e a Catequese, como assinalou D. Ricard. A reforma das estruturas dá seguimento a um processo de reorganização interna iniciado em 2002, “com o objectivo de favorecer o trabalho entre os bispos, de modo a melhor servir a sua missão comum”. No encontro destes dias, os bispos franceses debatem as propostas apresentadas por um grupo liderado por D. Georges Pontier, Bispo de La Rochele, de modo que o documento possa ser finalmente aprovado em Abril do próximo ano. Um dos dados já adquiridos é que a Conferência Episcopal Francesa terá uma sede em Paris, concentrando os diversos serviços das diferentes instâncias: Assembleia Plenária, Conselho Permanente, Secretariado Geral, Comissões e comités permanentes. De facto, além da Comissão Doutrinal, haverá quatro comités na Igreja de França: Informação e Comunicação, Canónico, Relações Internacionais e Assuntos Económicos. Haverá, ainda, dez comissões episcopais: Liturgia e Pastoral Sacramental, Catequese e Catecumenado, Ministérios ordenados, Vida Consagrada, Família, Movimentos apostólicos e Associações de fiéis, Missão universal da Igreja, Unidade dos Cristãos, Comissão Social, Educação, Vida e fé dos jovens. Por fim, um Conselho Nacional de Solidariedade será a instância de concertação das organizações caritativas da Igreja. A Catequese é outro ponto importante da próxima assembleia plenária do episcopado francês. A intenção é clara: “recolocar a catequese no coração das comunidades cristãs”, e “apresentar os fundamentos de uma catequese que se dirige aos diferentes grupos etários e articula na iniciação cristã as experiências, as aprendizagens e os ensinamentos”.

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