Bispos do Brasil preocupados com o aumento do desemprego e a perda do poder de compra no país

Os Bispos católicos do Brasil estão muito preocupados com o aumento das taxas de desemprego e a perda de poder de compra dos trabalhadores. “Vivemos numa situação de agravamento crescente das desigualdades sociais, com ameaças constantes de rompimento do tecido social. Não nos podemos acostumar com a dura realidade, que faz de nosso País um campeão da má distribuição de terra, rendimento e riqueza”, apontam os prelados numa mensagem divulgada por ocasião do Dia do Trabalhador. O documento, emitido durante a Assembleia plenária da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), assinala que o Brasil atravessa uma profunda crise “económica e social, marcada por taxas recordes de desemprego e subemprego”. De acordo com os dados apresentados, são mais de 25 milhões de pessoas no mercado de trabalho informal, ou até em actividades ilegais. “O salário mínimo vigente sofre uma perda acelerada do poder de compra e, cada vez menos, atende às necessidades básicas da família”, acrescentam. A CNBB acusa essa desordem estrutural de ter um papel decisivo “no recrudescimento da violência urbana e rural, cuja repercussão ocupa espaço significativo nos meios de comunicação”. Para os Bispos, a superação desse quadro “requer uma política económica que vise, em primeiro lugar, a promoção do trabalho e a inclusão social”. “Os recursos públicos devem destinar-se não apenas ao pagamento dos juros da dívida pública interna e externa, mas a investimentos geradores de emprego, na cidade e no campo, e a iniciativas que atendam à exigência constitucional de erradicação da pobreza no nosso país”, escrevem. A CNBB exige, ainda, a implementação do “Plano Nacional de Reforma Agrária”, e a “demarcação e homologação das terras indígenas”. Em conclusão, a Igreja Católica no Brasil mostra-se solidária “com os trabalhadores e as trabalhadoras, os povos indígenas, os afro-descendentes, os sem-terra, os sem-tecto, os desempregados e os reduzidos ao trabalho escravo”.

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