Começou ontem a assembleia plenária da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), com o episcopado brasileiro a exigir uma reforma agrária. “Esta (a reforma agrária) é uma velha questão. Não há dúvida que uma reforma agrária equilibrada dentro da lei, bem elaborada, pode ajudar a resolver muitos problemas: desemprego, falta de perspectivas de futuro, saúde, vida social e democrática”, afirmou o secretário-geral da CNBB, D. Odilo Pedro Scherer. Sobre as manifestações dos movimentos sociais, sobretudo o Movimento dos Sem Terra (MST), o secretário-geral da CNBB disse que “a reacção dos movimentos sociais, inclusive do MST, reflecte uma impaciência, proveniente de muitos problemas históricos que nem agora estão resolvidos, principalmente ligados às classes mais pobres, menos favorecidas, o mundo do trabalho, do desemprego, “As camadas sociais que são sempre desfavorecidas, depois de tantas expectativas, ainda não vêem os seus anseios tornarem-se realidade”, acrescentou. Para o prelado, estas pressões “podem ser vistas como oposição ao governo, mas ficam melhor vistas como apoio a projectos que o governo quer levar por diante”. O presidente da CNBB, cardeal Geraldo Majella, disse na abertura 42ª Assembleia Geral do organismo que a iniciativa “quer ser um momento importante de vivência consciente de nossa missão episcopal, de nossa corresponsabilidade episcopal na solicitude por toda a Igreja de Deus”. O ano passado, nesta mesma reunião, esteve presente o presidente Lula da Silva. Em 2004, a “lua-de-mel” entre o Governo e a Igreja católica parece ter acabado, com o episcopado a lançar críticas constantes e a exigir mudanças radicais na economia do país, com a máxima urgência. O aumento da pobreza e da miséria levaram já a CNBB a afirmar que a situação no Brasil “nunca esteve tão má como agora”.
