Uma reportagem publicada pelo jornal “El Tiempo” mostrou as “odisseias quotidianas” dos bispos colombianos, que enfrentam a violência em diversas zonas de conflito armado. O artigo explica que “a vida de sacerdotes e bispos nas regiões dista muito dos frios escritório e da tranquilidade”, assinalando que em algumas regiões afastadas, onde não está presente o Estado, “está presente um sacerdote”. “Não é por acaso que em diversas regiões do país, a cara das instituições tenha como referência a Igreja Católica”, acrescenta a peça. A reportagem reúne seis testemunhos que mostram o trabalho dos prelados nas regiões de violência, destacando em primeiro lugar D. Nel Beltrán, que depois de receber um telegrama há 20 anos do então presidente da Colômbia, Belisario Betancur, iniciou os seus trabalhos como mediador entre o governo e as guerrilhas. “Do primeiro encontro com a guerrilha, lembro que, naquela sala de jantar rodeado de pessoas armadas, experimentei a mesma sensação de quem vê gente do outro mundo”, recordou D. Beltrán. Outro testemunho é o de D. Jaime Prieto Amaya, Bispo de Barrancabermeja, que há 10 anos sempre que vai a alguma região para se encontrar com representantes da guerrilha ou com as auto-defesas, leva a Bíblia e começa a conversação lendo uma parte dela. Mais adiante, o artigo apresenta o relato de D. Héctor Julio López, Bispo de Girardot, que está há vários anos no diálogo com grupos guerrilheiros. O prelado recordou uma experiência em particular. “Fomos pedir à guerrilha para libertar um senhor, que estava muito doente. Levámos medicamentos e a Bíblia; ao ser libertado, a pessoa contou-nos que lhe entregaram os medicamentos, mas a Bíblia não”. A reportagem também destaca o testemunho do Bispo de Málaga-Soatá, Darío Monsalve, que lembrou uma visita pastoral na sua região. “Entrei em casa de uma senhora à qual tinham assassinado o seu esposo. Ela tinha uma criança nos braços e outro maiorzinho, que dormia numa esteira. A criança acordou, saltou da esteira e agarrou-me pelas pernas, suplicando que não assassinasse a sua mãe”.
