Bispos brasileiros pedem reconhecimento dos direitos dos povos indígenas

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) visitou, no dia 27 de Fevereiro, a diocese de Roraima, onde se encontram 27 missionários da Consolata. A visita apresenta-se como um acto de solidariedade da CNBB com a Diocese de Roraima, na sua defesa dos direitos dos Índios e com os missionários que aí trabalham, particularmente os três missionários que foram sequestrados no início de Janeiro. “Não podíamos deixar de manifestar nossa preocupação e diante das recentes violências cometidas contra os missionários, a Igreja local e os povos indígenas e nossa desaprovação dos actos de ódio e ganância; ao mesmo tempo, apelamos para que esses crimes sejam julgados e os culpados sejam punidos”, referiram D. Geraldo Magella Agnelo e D. António Celso Queirós, presidente e vice-presidente da CNBB. Neste Estado do norte do Brasil, uma minoria de fazendeiros brancos está fazer fortes pressões para que o Governo não devolva aos índios a chamada zona “Raposa do Sol”, uma região onde vivem perto de 15 mil índios. Os representantes da CNBB deixaram claro que “não poderíamos deixar de nos manifestar, neste momento importante da história do nosso País, sobre a aspiração e o direito mais importante dos povos indígenas do Estado de Roraima: trata-se da justa e constitucional homologação da área indígena Raposa, Serra do Sol, conforme a portaria 820/98”. A Missão Indígena do Surumu foi invadida no dia 6 de Janeiro, com três Missionários da Consolata a serem sequestrados e mantidos 60 horas em cativério. Os missionários, aconselhados pelos índios, ainda não retornaram à missão. Para o português António Fernandes, provincial regional dos Missionários da Consolata, a visita de uma delegação de alto nível da Conferência Nacional de Bispos do Brasil é o reconhecimento do trabalho dos missionários em favor das populações indefesas. “Em toda a região, a boa notícia que esperam do Governo Federal em Brasília é homologação das terras a favor dos índios, mas há também a consciência das dificuldades. Resta a esperança que esta visita do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ajude a desbloquear esta situação, que está bem longe de uma solução consensual para todas as partes”, referiu à RR. Os missionários da Consolata, juntamente com outros promotores da campanha «Nós Existimos», recolheram assinaturas num abaixo-assinado entregue ao Governo Federal do Brasil, onde solicitavam a homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol, a aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas, a punição dos envolvidos no escândalo de corrupção conhecido como “folha dos gafanhotos” e a não-concessão de incentivos fiscais para os latifundiários plantadores de arroz irrigado, soja e acácia mangium, assim como para a instalação de uma fábrica de pasta de celulose em Roraima. Em 1998, o então ministro da Justiça, Renan Calheiros, declarou a Raposa/Serra do Sol, no noroeste de Roraima, posse permanente dos índios macuxi, uapixana, ingaricó e taurepangue.

Partilhar:
Scroll to Top