Bispos brasileiros exigem reconhecimento dos direitos dos povos indígenas

Uma delegação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) visitou, esta semana, a Diocese de Roraima, onde se encontram 27 missionários da Consolata. A visita apresenta-se como um acto de solidariedade da CNBB com a Diocese, na sua defesa dos direitos dos Indígenas e com os missionários que aí trabalham, de onde se destacam os três missionários que foram sequestrados no início deste ano. “Voltei preocupado. Estou muito triste com o que estão fazendo com este país: se deixarmos essa situação assim, vamos pagar para a toda a eternidade por um crime pesado”, referiu à Adital o Bispo Jayme Henrique Chemello, no regresso de uma visita a Roraima, precisamente na terra indígena Raposa/Serra do Sol.- A declaração demonstra a preocupação do Bispo com os entraves colocados à homologação da terra indígena e a ameaça que isto significa para a sobrevivência dos povos indígenas da região. “É uma questão humana”, afirma D. Chemello. O prelado é bispo de Pelotas e presidente da Comissão Episcopal Especial para a Amazónia, da CNBB. Esteve em Roraima acompanhado do Arcebispo de Manaus, D. Luiz Soares Vieira. A aproximação do prazo para o cumprimento das decisões liminares que determinam a retirada dos índigenas das terras que ocupam, reconhecendo aos arrozeiros a posse das fazendas preocupa a CNBB: Em alguns casos, o prazo para a retirada de indígenas das terras reivindicadas pelos fazendeiros é hoje, dia 29. O Bispo conversou com o Juiz Federal Helder Girão, que tem acatado os pedidos de reintegração de posse dos fazendeiros, e questionou essas decisões que afectam as malocas (comunidades) indígenas. “Quem avançou ali foram os fazendeiros”, afirma D. Jayme Chemello, que confessou ter ficado impressionado com o sentimento anti-indígena que viu difundido na cidade. “Vêem os índios como a causa da miséria do Estado”, referiu. Os representantes da CNBB já deixaram claro que “não poderíamos deixar de nos manifestar, neste momento importante da história do nosso País, sobre a aspiração e o direito mais importante dos povos indígenas do Estado de Roraima: trata-se da justa e constitucional homologação da área indígena Raposa, Serra do Sol, conforme a portaria 820/98”. A Missão Indígena do Surumu foi invadida no dia 6 de Janeiro, com três Missionários da Consolata a serem sequestrados e mantidos 60 horas em cativeiro. Os missionários da Consolata, juntamente com outros promotores da campanha «Nós Existimos», recolheram assinaturas num abaixo-assinado entregue ao Governo Federal do Brasil, onde solicitavam a homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol, a aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas, a punição dos envolvidos no escândalo de corrupção conhecido como “folha dos gafanhotos” e a não-concessão de incentivos fiscais para os latifundiários plantadores de arroz irrigado, soja e acácia mangium, assim como para a instalação de uma fábrica de pasta de celulose em Roraima. Em 1998, o então ministro da Justiça, Renan Calheiros, declarou a Raposa/Serra do Sol, no noroeste de Roraima, posse permanente dos índios macuxi, uapixana, ingaricó e taurepangue.

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