Bispo denuncia islamização forçada no Sudão

Milhares de vítimas e um desastre humanitário são resultados do conflito no oeste do Sudão, em Darfur, onde está em curso “um processo de islamização”, denunciou o bispo sudanês de Obeid, Macram Max Gassis. Desde Fevereiro de 2003, Darfur é cenário de um violento confronto entre dois grupos rebeldes – o Movimento para a Justiça e a Igualdade (JEM) e o Exército-Movimento de libertação do Sudão (SLA-M) – e o exército regular sudanês. Os dois movimentos locais reclamam também do governo central mais participação na exploração dos recursos petrolíferos controlados pelo Estado, um pedido que coincide com o que há duas décadas Cartum enfrenta com os separatistas do Sul. O bispo Macram Max Gassis, disse à Rádio Vaticano que “aqui não existe uma questão de religião, mas uma questão étnica: a parte de Darfur é aniquilada pela parte árabe, os janjaweed, que são armados pelo exército de Cartum para ir cometer estas violações contra a população negra de Darfur”. “Esta gente pediu que fossem reconhecidos seus direitos, como o fizeram também outros na Sudão”, acrescentou o prelado advertindo que o país está a tornar-se um vulcão, prestes a explodir. Este conflito armado estourou em 1983, quando o ex-presidente Gaafar Nimeiry instaurou a shari’a (lei islâmica). Em 1989 impulsionou-se o processo de islamização forçada entre as populações do sul. “Faço um apelo ao regime de Cartum: a guerra não leva a nenhum lugar, e mais, trará mais rancor, mais sofrimento, mais ódio”, disse o bispo de Obeid.

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