O bispo Salesiano sino-brasileiro, D. Song Sui Wan, da diocese de S. Gabriel da Cachoeira (Brasil), com alertou para o crescimento do alcoolismo entre os povos indígenas da região amazónica. “O problema é grave e torna-se mais preocupante já que os indígenas têm uma constituição física fraca para a bebida” – aponta D. Song que, no último mês, organizou um encontro para discutir a questão com a comunidade diocesana. Na assembleia ficou decidido que se iria construir um centro de recuperação: a «Casa Esperança». Segundo o Bispo, nem mesmo o alto preço da garrafa de aguardente na região (em média R$ 20), impede que os indígenas entrem em contacto com o álcool. Para ajudar a reverter a situação, D. Song desloca-se à selva para estreitar o contacto com as tribos. “Como não consigo falar as 23 línguas, o que seria impossível, aprendi algumas expressões. Quando chego a uma aldeia, toco um pouco de música ou apresento mágicas. É uma forma de quebrar o gelo” – conta. Muitos índios, segundo o prelado, são alfabetizados, “fruto do trabalho missionário dos Salesianos e das Filhas de Maria Auxiliadora, que trabalham na região desde 1910”. Na Diocese de S. Gabriel da Cachoeira – capital do Alto Rio Negro -, 97% de população é formada por povos indígenas. Os restantes 3% são migrantes nordestinos, caboclos e militares que operam na região fronteiriça. Questionado sobre o rápido crescimento no número de Organizações Não Governamentais (ONGs) na Amazónia, o bispo não escondeu a sua preocupação: “existem dois tipos de organizações – umas preocupadas com a questão humanitária, outras com questões da biopirataria.”
