Primeira audiência geral serviu para explicar a escolha do nome para o pontificado Bento XVI viveu hoje a sua primeira audiência geral com mais de 15.000 peregrinos de todo o mundo, um encontro semanal de grande importância, escolhendo a oportunidade para sublinhar as raízes cristãs da Europa. No anterior pontificado, o Vaticano tinha criticado duramente a ausência de uma referência a estas raízes no Preâmbulo do Tratado Constitucional Europeu. “O nome Bento evoca a extraordinária figura de São Bento, um ponto de referência para a unidade da Europa e as irrenunciáveis raízes cristãs da sua cultura e civilização”, explicou. O Papa disse ainda que São Bento, padroeiro da Europa, é muito venerado “na Alemanha e em particular na Baviera, a minha terra de origem”. A audiência desta quarta-feira centrou-se na explicação do nome que o Papa escolheu como Bispo de Roma e Pastor da Igreja Universal. “Adoptei o nome de Bento XVI em relação com o Papa Bento XV, um autêntico e valente profeta da paz perante o drama da I Guerra Mundial”, indicou. O novo Papa assumiu, depois, a intenção de colocar-se “ao serviço do grande bem da reconciliação e da harmonia entre os homens e os povos, porque o grande bem da paz é sobretudo um dom de Deus, que temos de defender e construir entre todos”. O Papa ainda se diz dominado pelas primeiras emoções perante a sua eleição e voltou a apelar à ajuda divina para que possa cumprir esta missão. “Nestes dias do início do meu Ministério Petrino, experimento no meu ânimo sentimentos contrastantes, espanto e gratidão em relação a Deus, que antes de mais me surpreendeu chamando-me a suceder ao apóstolo Pedro. Tremo interiormente perante a grandeza da tarefa e das que responsabilidades que me foram confiadas, mas o que me dá serenidade e alegria é a certeza da ajuda de Deus, da sua Mãe Maria Santíssima e dos Santos protectores”. Bento XVI saiu no papamóvel da Casa de Santa Marta, atravessando por várias vezes a Praça de São Pedro. No decorrer na audiência, o Papa falou em italiano, francês, inglês, alemão e espanhol, além de ter saudado os peregrinos eslovenos, croatas e polacos. A ausência da língua portuguesa pode ter-se ficado a dever, como no pontificado anterior, à ausência de inscrição na Prefeitura Apostólica dos grupos de peregrinos presentes. Para a próxima semana ficou a promessa de retomar as catequeses sobre os Salmos e Hinos da Liturgia, que João Paulo II pronunciou até à audiência de 26 de Janeiro. Do seu predecessor, Bento XVI disse que a Igreja recebeu uma grande “herança espiritual”.
