Bento XVI assegurou aos refugiados de todo o mundo, cujo dia Mundial se comemora a 20 de Junho, a solidariedade da Igreja Católica, referindo que “todos aqueles que se encontram longe da sua pátria podem sentir a Igreja como uma pátria onde ninguém é estrangeiro”. “A comunidade cristã está com os que vivem esta dolorosa condição”, afirmou o Papa durante a oração do Angelus, na Praça de São Pedro. A comunidade cristã esforça-se “por apoiar os refugiados e, de diversas formas, manifesta-lhes o seu interesse e o seu amor que se traduzem por gestos de solidariedade, afim de que longe dos seus países sintam a Igreja como uma pátria onde ninguém é estrangeiro”, acrescentou. Recordando o tema da jornada mundial deste ano, “A Coragem de ser Refugiado”, Bento XVI sublinhou “a força de alma exigida a quem tem de deixar tudo, às vezes também a família, para escapar a graves dificuldades e perigos”. O número de refugiados no mundo era no final de 2004 de cerca de 9,2 milhões de pessoas, segundo o último relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas, existindo 19,2 milhões na situação de requerentes de asilo, repatriados, apátridas ou deslocados no seu próprio país. No Ano da Eucaristia, que a Igreja vive por iniciativa de João Paulo II, o actual Papa lembrou que “a caridade feita obras é um critério que comprova a autenticidade das nossas celebrações litúrgicas”. “Que Ano da Eucaristia que estamos a viver ajude as comunidades diocesanas e paroquiais a reavivar esta capacidade de sair ao encontro das numerosas pobrezas de nosso mundo”, apontou. Antes de despedir-se dos peregrinos, Bento XVI colocou nas mãos da Virgem Maria “os homens, mulheres e crianças” que vivem a condição de refugiados, recordando que a Sagrada Família também “experimentou o sofrimento do exílio”. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) revelou na sexta-feira que o número global de refugiados desceu 4% em 2004, estimando-se em 9,2 milhões, o número mais baixo em quase um quarto de século. Contudo, as estatísticas anuais de ACNUR mostram que o número de desabrigados internos e de apátridas continua a ser alto. O novo Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o português António Guterres, assinala amanhã o Dia Mundial dos Refugiados no Uganda. Guterres explicou que o tema escolhido para este ano foi a coragem porque as histórias de vida e drama destas populações são exemplo disso mesmo.
