Bento XVI aponta o diálogo como caminho para a paz

Alertas para o perigo do «choque de culturas e mundos diferentes» Bento XVI deixou hoje um forte apelo aos países de todo o mundo para que escolham o caminho do diálogo para resolver os conflitos. Pela primeira vez no seu pontificado, o Papa concedeu uma audiência a todo o corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé, num total de 174 representações. Governantes, diplomatas, comunidades cristãs e homens de boa vontade foram convidados pelo Papa a “construir uma sociedade pacífica, para vencer as tentações do conflito entre culturas, etnias ou mundos diferentes”. “Venho de um país onde a paz e a fraternidade são queridas a todos os seus habitantes, especialmente àqueles que, como eu, conheceram a guerra e a separação entre irmãos pertencentes à mesma nação”, disse Bento XVI, lembrando a sua experiência da II Guerra Mundial e do pós-guerra na Alemanha dividida. O Papa apontou o dedo às “ideologias devastadoras e desumanas” que colocam um “jugo de opressão” sobre a humanidade e assegura que estará “particularmente sensível ao diálogo entre todos os homens, para superar qualquer forma de conflito e tensão”. Nesse sentido, disse, “todos os povos devem partir, sem medo, ao encontro do outro, para partilhar as suas riquezas espirituais e materiais em benefício de todos”. Perante representações dos cinco continentes, Bento XVI fez votos de que o nosso mundo se torne “uma terra de paz e fraternidade”, lembrando o compromisso em favor da paz do seu predecessor, João Paulo II. O Papa negou, por outro lado, que a Igreja Católica peça “privilégios” para cumprir a sua missão, mas apenas “as legítimas condições de liberdade e de acção”, considerando que os católicos “não cessam de proclamar e defender os direitos humanos fundamentais, muitas vezes violados em várias partes do mundo”. “Estai certos de que a Igreja Católica continuará a oferecer a sua própria colaboração para a salvaguarda da dignidade de cada homem, ao serviço do bem comum”, disse aos embaixadores presentes. Em nome destes últimos falou Giovanni Galassi, decano do Corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé, que na sua saudação ao Papa destacou “a cada vez mais complexa situação mundial, com a praga da violência e da corrupção”. “É para vós, Santidade, que os homens de todos os continentes e de todas as religiões se voltam para sair da espiral maléfica dos egoísmos e das prevaricações, com a fundada esperança de que o vosso magistério iluminado saiba favorecer uma nova coexistência pacífica entre os homens e os povos”, sublinhou o embaixador de São Marino.

Partilhar:
Scroll to Top