«Foi preciso uma grande coragem para ser verdadeiramente um homem que se deu inteiramente», afirmou o autor
Lisboa, 02 abr 2025 (Ecclesia) – O padre Luís Miguel Fernandes publicou o livro ‘Audácia Generosa de um Pastor, Dom José Patrocínio Dias – Bispo Restaurador da Diocese de Beja (1884-1965)’, uma segunda edição mais desenvolvida, com “excertos quase de caráter íntimo”.
“Num terreno onde não há nada, parece que é mais fácil construir, mas não é bem assim. Ele teve bastantes dificuldades, porque o terreno é árido, e um terreno, usando a imagem agrícola, para produzir alguma coisa, tem que ser lavrado. E ele teve todo esse trabalho, particularmente com a sua entrega generosa”, disse o padre Luís Miguel Fernandes, esta quarta-feira, dia 2 de abril, em entrevista à Agência ECCLESIA.
“Daí o título desta segunda edição seja a ‘audácia generosa de um pastor’, ou seja, foi preciso uma grande coragem para ser verdadeiramente um homem que se deu inteiramente”, acrescentou o sacerdote, que frequenta a licenciatura em Direito Canónico, na Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Lisboa.
A Diocese de Beja – criada no período visigótico, conhecida como Diocese Pacense (de Pax Julia), foi extinta durante a ocupação muçulmana, na reconquista de Beja aos mouros passou a fazer parte da Diocese de Évora – foi restaurada no dia 10 de julho de 1770, mas “nunca teve as estruturas próprias, como a catedral, o seminário”, até D. José do Patrocínio Dias, que chegou a este território no dia 4 de fevereiro de 1922, pela Estação das Alcáçovas, e ficou “cerca de meio século” como responsável, até 1965.
O padre Luís Miguel Fernandes salienta que D. José do Patrocínio Dias edificou “do nada”, primeiro pela caridade, depois pela presença “muito ativa junto das populações, junto das paróquias”, que se manifestou “num grande acompanhamento aos párocos”, da parte dele, mas também da Congregação das Oblatas do Divino Coração que fundou “com esta realidade específica”, de apoio também às missões, à pastoral, para “restaurar a fé”.
“Importa conhecê-lo precisamente porque há uma audácia que é preciso ter, e uma generosidade também para verdadeiramente não só estar perto das pessoas, conhecer as suas necessidades, mas, ao mesmo tempo, como ele fazia, dar-lhes pão, mas também dar-lhe a palavra”, salientou o autor da nova publicação.
D. José do Patrocínio Dias foi nomeado bispo de Beja com 36 anos, entrou na diocese com 38 anos, e “há toda uma realidade exterior da obra que reflete uma construção interior”, “o crescimento espiritual da diocese”, o padre Luís Miguel Fernandes destaca, para além da construção do seminário e da catedral, a assistência sociocaritativa “num Alentejo que estava completamente abandonado e carecido de auxílios para as populações”.
“Criou, por exemplo, a Sopa dos Pobres, uma grande instituição que reuniu em todas as paróquias para ajudar os mais desfavorecidos e, depois, assumiu, o maior relevo com a construção de um bairro completo na cidade de Beja, o Bairro da Conceição, que ainda hoje lá está, para famílias pobres e carenciadas”, indicou.
‘A Audácia Generosa de um Pastor: D. José do Patrocínio Dias – O bispo restaurador da Diocese de Beja (1884-1965)’, é uma segunda edição, aumenta, da tese de mestrado integrado em Teologia do padre Luís Miguel Fernandes, defendida na UCP, em 2014, com o título ‘Dom José do Patrocínio Dias. O homem, o militar e o bispo restaurador da diocese de Beja (1884-1965)’, que foi publicada em março de 2016, (Edições Tenacitas).
“Vários investigadores disseram que era uma pena estar completamente esgotado, e por uma necessidade da própria história da diocese, com a Editora Lucerna, foi possível esta segunda edição”, explicou o padre Luís Miguel Fernandes.
“Há acrescentos, inclusivamente, quase de caráter íntimo do Sr. Dom José Patrocínio Dias, excertos do seu diário íntimo, particularmente o ‘Retiro para a Sua Sagração Episcopal’, que é verdadeiramente um texto marcante”, desenvolveu, no Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2..
Natural da Covilhã (Diocese de Guarda), onde nasceu em 1884, estudou Teologia na Universidade de Coimbra, entre 1902 e 1907, foi ordenado sacerdote em 1907, e bispo em 1921, sempre na cidade da Guarda; o padre José Patrocínio Dias “oferece-se como capelão militar”, em 1917, foi coordenador dos capelães militares portugueses na I Guerra Mundial, e esteve em La Lys (França) com o Corpo Expedicionário Português.
PR/CB/OC
O livro ‘A Audácia Generosa de um Pastor: D. José do Patrocínio Dias – O bispo restaurador da Diocese de Beja (1884-1965)’ foi apresentado no dia 23 de março, no Seminário de Beja, numa sessão presidida pelo bispo diocesano, D. Fernando Paiva, e teve como apresentador o padre Luís Filipe Marques, pároco de Alvalade. “Conhecer a história deste notável bispo é mais do que um exercício de memória; é uma necessidade, uma vez que este conhecimento é importante para compreendermos melhor as raízes da nossa identidade eclesial”, refere o bispo de Beja, que escreveu o prefácio desta segunda edição.
Segundo D. Fernando Paiva, o padre Luís Miguel Taborda Fernandes soube, com o zelo de um historiador dedicado e a fé de um pastor apaixonado, “apreender e bem comunicar a essência da vida de D. José do Patrocínio Dias”, e deseja que esta segunda edição chegue “a um número ainda maior de leitores”, que o legado do bispo restaurador da diocese do baixo-Alentejo “inspire sacerdotes, religiosos e leigos a assumirem, com renovada esperança, o compromisso de restaurar e renovar a vida da Diocese de Beja”. “Que este livro seja, para todos nós, um convite a mergulhar nas raízes da nossa fé, a reconhecer os sinais dos tempos e a responder, com coragem e generosidade, aos apelos de Deus nos nossos dias”, acrescenta o quinto bispo da diocese de Beja após D. José do Patrocínio Dias. |