Aumento do desemprego preocupa trabalhadores cristãos

O aumento do desemprego e o agravamento das condições de vida dos trabalhadores estão no centro das preocupações dos trabahadores cristãos. “Para nós emprego é mais que um ‘emprego’, é algo a que todos deveriam ter direito, a fim de poderem dar o seu contributo para desenvolvimento da sociedade”, afirmou Américo Monteiro, Coordenador Diocesano, em Braga, da Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC), num encontro de reflexão, sobre o “O Desemprego e a Dignidade da Pessoa Humana”. “Hoje quem tem emprego é um privilegiado mas, tirar o emprego às pessoas é das coisas mais terríveis que pode acontecer a um ser humano. Para nós cristãos, no emprego todos deveriam ser tratados por igual. Todos deveriam ter direito a um trabalho digno e justo”, acrescentou. A iniciativa foi promovida em conjunto, pela LOC/MTC de Antas e a Associação de Moradores das Lameiras (AML), na passada terça-feira, nas instalações do Centro Social e Comunitário da AML. Os números apresentados por Sandra Costa, psicóloga na área do trabalho e coordenadora da UNIVA – Unidade para a Inserção na Vida Activa, das Lameiras, não deixam dúvidas, o desemprego tem-se agravado no Concelho de Vila Nova de Famalicão. Segundo dados recolhidos junto do Centro de Emprego, o número de inscritos até Dezembro de 2003 totaliza 7.751. O trabalho apresentado em números, com relatos à mistura de situações de angústia de jovens à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração, revela o drama de muitas famílias que compraram casa e de um momento para o outro vêm-se sem os meios financeiros adequados para liquidarem, junto dos bancos, as comparticipações mensais. Outras retiram os filhos das creches e infantários, a fim de pouparem nas mensalidades. Américo Monteiro, referindo-se à dignidade da pessoa humana, acrescentava: “perder o emprego é perder algo de nós próprios, algo da nossa realização pessoal. Perdemos a nossa auto-estima e os nossos meios de subsistência”. UNIVA José Maria Carneiro Costa, da comissão organizadora, informa a Agência ECCLESIA de que , durante os dois anos de actividade da UNIVA, inscreveram-se 493 utentes, que mantêm a sua ligação a esta estrutura. Este número está repartido pelas freguesias da área urbana da cidade, sendo os mais significativos, até pela localização da UNIVA, a freguesia de Antas com 113, (Edifício das Lameiras 96), Calendário 56, Famalicão 56, entre outras. Nestes números as mulheres predominam com 306. A maioria dos utentes têm idade inferior a 30 anos. No entanto, no último ano o número de pessoas com mais de 30 anos aumentou significativamente, tendo-se inscrito, só neste período, 118 utentes com mais de 30 anos. Nestes dois anos de actividade a UNIVA conseguiu colocar 104 pessoas em diversos empregos, cerca de uma centena de utentes foram encaminhados para cursos de formação profissional, muitos deles com sucesso. De salientar ainda, o trabalho desenvolvido, quer na procura de empregos, quer no contacto directo com empresas e serviços e o acompanhamento dos utentes a nível psicológico, preparação e ajuda na aquisição de competências para uma procura de emprego mais activa.

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