“Directamente ou indirectamente, as vitimas da prostituição vêm bater à porta das nossas instituições” – disse à Agência ECCLESIA o Pe. Valentim Gonçalves, da Comissão Justiça e Paz dos Religiosos que hoje, dia 18 de Março, realizou uma acção do formação sobre “Prostituição em debate: legislação versus legalização”. E acrescenta: “esta realidade preocupa-nos muito” Com o intuito de formar os cerca de 40 participantes – “começa a falar-se com alguma insistência na legalização da prostituição” – a Comissão Justiça e Paz dos Religiosos acha que é útil ter alguns elementos “que nos ajudem a discernir o significado dos termos e o seu efeito nas práticas que podem daí advir”. Com o Campeonato do Mundo de Futebol à porta, a realizar na Alemanha nos meses de Junho e Julho, algumas associações têm levantado a questão “da previsível invasão de prostitutas para servirem os muitos turistas que irão ver esse evento”. E adianta: “fala-se em dezenas de milhares de prostitutas que acorrerão às cidades que irão acolher o mundial”. A sessão de esclarecimento contou com o contributo de Inês Fontinha, directora do «Ninho» – instituição que trabalha com prostitutas – que esclareceu os presentes sobre a realidade da prostituição em Portugal. Olhando para sociedade portuguesa – sublinha o Pe. Valentim Gonçalves – “a prostituição tem aumentado não só a nível da população portuguesa mas também com estrangeiras”. Como causas para este acréscimo, o sacerdote diz peremptoriamente: “o aumento da pobreza é o grande factor”. A “ganância e a ausência de escrúpulos dos exploradores” também são factores que não ajudam “estas mulheres a sair deste caminho”. Se Portugal optar pela legalização, o Pe. Valentim Gonçalves afirma que dar-se-á um campo “mais amplo aos empresários do sexo”. E finaliza: “isso não é solução nenhuma”.
