Ataque aos símbolos cristãos é pouco democrático

“Reconhecer o património religioso específico de uma sociedade exige que se reconheçam os símbolos desse património”, defende João Paulo II João Paulo II pronunciou-se hoje sobre a polémica da retirada dos crucifixos numa escola italiana para demonstrar que o ataque aos símbolos cristãos é “pouco democrático e um factor de conflito”. “Reconhecer o património religioso específico de uma sociedade exige que se reconheçam os símbolos desse património”, afirmou o Papa. A decisão de uma magistrado italiano, ordenando a retirada dos crucifixos numa escola pública, foi hoje suspensa pela justiça. João Paulo II ainda não fora informado desta decisão ao fazer esta declaração, numa audiência a representantes de várias religiões que se deslocaram a Roma para a reunião europeia sobre o diálogo inter-religioso e a coesão social. “A coesão social e a paz não podem ser atingidas se apagarmos as particularidades religiosas de cada povo: isso seria vão e pouco democrático, contrário à alma dos países e aos sentimentos da maioria das suas populações”, vincou João Paulo II. O Papa recusa que, em nome do princípio de igualdade, se renuncie à expressão da tradição religiosa de determinado povo, explicando que “a fragmentação étnica e cultural de hoje pode facilmente constituir-se em factor de instabilidade e de conflito. Presentes no Vaticano estavam o reitor da Mesquita de Paris, Dalil Boubaker, o arcebispo católico Antonio Canizares Llovera, o bispo anglicano Christopher Herbert, o bispo ortodoxo grego Athanasios Chatzopoulos e a vice-presidente do Conselho central dos judeus da Alemanha, Charlotte Knobloch. João Paulo II formulou votos de um diálogo que abra caminho a uma “desejável unidade na diversidade”. A situação do Médio Oriente foi novamente recordada, tendo o Papa lamentado que “Judeus, Cristãos e Muçulmanos ainda não tenham estabelecido entre eles uma coexistência plenamente pacífica no local onde as suas religiões nasceram”. “O terrorismo é um fenómeno que contrasta com o espírito religioso autêntico”, concluiu. Notícias relacionadas • Tribunal suspende ordem de retirada dos crucifixos em escola italiana

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