“O Ocidente produz bela sociologia, mas não entendeu a complexidade do Islão”, afirma à Agência Fides o Pe. Giuseppe Scatolin, Comboniano e grande especialista em Islão. “Os movimentos terroristas islâmicos nascem de uma tradição que é radicada desde o primeiro século da história islâmica. No Islão, sempre houve um confronto entre o poder constituído e uma série de movimentos que o contestam em seu nome, afirmando que quem está no poder não representa o verdadeiro Islão”, afirma o missionário. “Portanto, não é exacto afirmar que o extremismo islâmico nasceu em contraposição ao ocidente. Os Wahabiti da hodierna Arábia Saudita, por exemplo, nasceram no século XVIII para contestar o poder dos otomanos, antes mesmo do início do colonialismo no Oriente Médio.” “Assim, os terroristas de hoje atacam os regimes dos países árabes amigos do ocidente em nome do retorno de uma suposta pureza do Islã primitivo”, afirma Pe. Scattolin. “Os maiores ideólogos são egípcios. Em especial, Sayyid Qutb, o ideólogo dos “Irmãos Muçulmanos”, condenado à morte por Nasser em 1966, representa uma fonte de referência para a rede terrorista de Al-Qaeda. “Poucos sabem que o termofoi provavelmente retomado por Bin Laden de um livro de Qutb”, recorda o missionário. “Da aliança entre os fundamentalistas egípcios e os Wahabiti sauditas nasceu o hodierno terrorismo islâmico. Uma aliança que o Ocidente ignorou ou até mesmo encorajou nos tempos da invasão soviética do Afeganistão. Quem se empenhou para expulsar os soviéticos do Afeganistão como combatentes foram os islâmicos, ignorando completamente que os fundamentalistas têm uma sua agenda anti-ocidental. E mesmo nos escritos de Qutb, aparece com todas as letras a declaração de guerra ao Ocidente”, afirma Pe. Scattolin. Sobre o futuro, o missionário afirma: “ou o Islão consegue desassociar a religião da política ou então a questão islâmica irá tornar-se um grave problema também dentro da própria Europa. No Islão actual, religião e política estão intrinsecamente interligadas. Crescerão, portanto, os pedidos por parte dos muçulmanos imigrados para adoptar leis estatais que admitam os preceitos da Shari’a. É como se os hindus quisessem impor o sistema das castas na Europa”. “O problema é que no Islã sunita, ao qual aderem 90% dos fiéis muçulmanos, não existe uma autoridade definida, capaz de uma revisão da Shari’a, que leve em consideração os direitos humanos e os conceitos de democracia”, prossegue o missionário. “Portanto é difícil em breve tempo prever o aparecimento de correntes suficientemente fortes e representativas, capazes de conciliar o Islão com a democracia”.