As famílias são a riqueza da Nação

D. António Marcelino, bispo de Aveiro, na festa de Santa Joana Princesa “De norte a sul do País, a grande riqueza da Nação são as famílias que não desistem de o ser e não abdicam dos seus direitos e deveres, pela convicção viva de que, se se perderem os se se anularem como famílias, a sua vida ficará destroçada, quem sabe se de modo irremediável”, afirmou D. António Marcelino na Eucaristia da Festa da Padroeira da cidade e diocese de Aveiro, Santa Joana, dia 12 de Maio. Numa Sé repleta de fiéis que nutrem uma veneração especial pela Padroeira das gentes aveirenses, estando em destaque a Irmandade de Santa Joana e autoridades civis, académicas e militares, D. António Marcelino recordou à homilia, dedicada à família, a Princesa “que quis ser de Aveiro por livre escolha sua”. Princesa que se identificou com a população, “através de uma permanente acção de bem-fazer, em favor das famílias e dos mais necessitados, com os quais partilhava pão, cuidados, desvelo, atenção”. Depois de reconhecer que muitas famílias portuguesas “são sadias”, defendem valores essenciais, estão abertas “à transmissão da vida”, cuidam “seriamente” da educação dos filhos e trilham caminhos de honestidade, que “bebem das raízes humanas e cristãs”, o nosso bispo sublinhou que se têm tomado, “a nível dos responsáveis políticos”, algumas medidas de protecção à família e criado serviços oficiais para lhe prestarem especial atenção. Contudo, disse que “não se podem fechar portas a ventos estranhos” que trazem modelos novos de convivência, “frequentemente contrastantes com a nossa cultura, a nossa realidade histórica, a nossa tradição cristã”. E adiantou que “foi este património que moldou famílias sólidas e enraizadas em valores que deram e continuam a dar sentido à sua vida”. Sublinhou que “não vai bem a instituição familiar em Portugal”, com “ameaças que sobre ela se acastelam, como nuvens de mau presságio”. “Às vezes até parece que a instituição familiar está ao nível de qualquer outra e nem merece tanta atenção e protecção como outras instituições ou associações”, frisou D. António. Entretanto, garantiu que muitas comunidades familiares não estão preparadas nem dispõem de meios para serem equilibradas e estáveis. Referiu, por isso, que as medidas sociais relacionadas com a habitação, os impostos e o estímulo à natalidade “parece que não consideram as exigências de uma vida familiar normal”. E sobre a educação, disse que “o Estado actua, por vezes, como se fosse dono das crianças e quem determina o sentido do seu futuro”. D. António frisou que vão escasseando “expressões tradicionais de solidariedade efectiva”, havendo “famílias a vegetar na penúria, crianças na mendicidade e num trabalho esforçado, quando deviam estar na escola e no lazer”. O nosso bispo enfatizou a situação de as uniões de facto crescerem em flecha, “porque dispensam exigências legais, mas acumulam favores sociais”, e afirmou que os divórcios são cada vez mais, “porque a lei deixou de estimular o esforço diário para superar as dificuldades normais e fez, entre nós, do casamento, o mais débil dos contratos públicos”. No final da Eucaristia, foram investidos Cavaleiros de Santa Joana os Pajens do ano transacto, que prestaram juramento em prol da fé cristã, tendo recebido, das mãos de D. António Marcelino, o chapéu armado, símbolo da fidelidade à Irmandade que os acolheu. Do mesmo modo, as Aias renovaram o seu compromisso de quererem seguir os ideais da Padroeira de Aveiro. Da parte da tarde, dezenas de milhares de pessoas assistiram à passagem da procissão que percorreu algumas ruas da cidade, nela se incorporando todos os membros da Irmandade, nomeadamente Donzéis e Donzelas, Infantes, Escudeiros e Açafatas, Pajens, Cavaleiros e Aias, Leais Conselheiros e Damas, Irmãos e Irmãs, que tem por missão promover o oculto de Santa Joana, falecida em 12 de Maio de 1490, com apenas 38 anos de idade. Participaram, ainda, outras Irmandades e Confrarias, escuteiros, grupos paroquiais, andores, bandas de música, autoridades civis, militares e académicas, povo e clero. Presidiu o Bispo diocesano.

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