Jornadas Sócio-Caritativas em Évora 220 participantes estiveram, durante este fim-de-semana, nas Jornadas Sócio-Caritativas da Arquidiocese de Évora, dedicadas ao tema da violência. Maria Adelina Quintino, Presidente da Caritas de Évora, lançou, na abertura dos trabalhos, o desafio de reflectir em ordem a “tentar responder às situações de violência que estão presentes no quotidiano”. D. Maurílio de Gouveia, Arcebispo de Évora, salientou a pertinência do tema escolhido e recordou que a atitude perante a violência deve ser “a do Bom Samaritano”. O prelado chamou atenção para as instituições católicas de solidariedade social que devem “preservar sempre a sua identidade cristã, procurar a qualidade em vez da quantidade de serviços prestados e procurar parcerias com o Estado… no fundo, devemos opor às mil fazes da violência, as mil faces do amor”. Na primeira conferência, dedicada ao tema “as mil faces da violência”, com Isabel Renaud, foram identificadas oito faces de violência, desde a física, à política, à violência sobre si próprio através das dependências, ao mal moral, à violência passional e calculadora, passando pela violência contra o ecossistema, ao terrorismo e à violência nas relações internacionais. Face à violência Isabel Renaud, apontou “uma vida de testemunho de paz” como resposta. Sociedade de violência Um primeiro painel, “Violência sobre pessoas” contou com a intervenção de Paula Guimarães, representante em Portugal da rede europeia de prevenção da violência contra as pessoas idosas. Esta especialista procurou alertar para a violência física, psíquica e a exploração financeira que se cometem contra os idosos, sendo que o principal autor da violência contra os idosos “é o Estado”, quer na falta de formação sobre a prestação de cuidados aos idosos, quer na ausência de quadro jurídico promotor da responsabilidade intra-familiar. O segundo painel abordou “Violência nas relações sociais e culturais”, com Aurora Rodrigues, procuradora adjunta do DIAP de Évora, a debruçar-se sobre a “Criminalidade”, referindo-se à violência que é considerada crime sobre as mulheres e sobre as crianças. Neste painel interveio ainda Rui Marques, Alto-comissário para a imigração e minorias étnicas, que tratou o tema “Imigração: da exclusão à criminalidade?”, chamando atenção para o facto da associação que a sociedade em geral faz entre a palavra imigração e criminalidade, desafiando para uma mudança de mentalidade e de atitude para com os imigrantes. Uma outra conferência, intitulada “Violência das estruturas sócio-políticas e económicas e os meios de comunicação social”, com Francisco Sarsfield Cabral, director de informação da Rádio Renascença, alertou para a violência que o Estado exerce, para o fenómeno do desemprego que muitas vezes se associa e causa violência e para os Media, que através dos seus conteúdos fazem que muita violência seja vista, ouvida e lida pelos indivíduos. Violência individual No dia 19, as Jornadas recomeçaram com o terceiro painel, “Violência sobre si próprio”, com Joaquim Gago, Médico Psiquiatra, que falou “do uso e abuso de substâncias ao suicídio”, analisando cuidadosamente o fenómeno do suicídio, a toxicodependência e a auto-mutilação. Seguiu-se uma intervenção sobre a “Cultura de violência e de morte”, com Pedro Conceição, da Pastoral da Comunicação Social, que à luz da encíclica Evangelium Vitae, visualizou as principais faces da violência, resumindo assim os principais aspectos já tratados. Posteriormente, decorreu a apresentação do novo Programa de Apoio à Família da Cáritas Diocesana de Évora. O encerramento das jornadas aconteceu com uma Eucaristia, na Igreja dos Salesianos. Recomendações Na intervenção “Tu não me matarás! Uma cultura da vida e da não violência”, o Pe. Silvestre Marques, Presidente do Instituto Superior de Teologia de Évora e responsável pela Pastoral Social, apontou algumas “recomendações de carácter espiritual que podem estar ao alcance de todos nós, enquanto comportamento evangélico.” Neste sentido desafiou a comunidade cristã afirmando que lhe “compete dar um testemunho claro de disponibilidade e de serviço a favor de qualquer tipo de vítimas de actos de violência, de maus tratos ou de qualquer outro tipo de violações da dignidade humana e dos seus direitos, com base e em coerência com o anúncio da boa nova do Evangelho que recebeu. Compete-lhe ainda, através dos meios adequados, denunciar, quer no seio da própria comunidade cristã quer no âmbito da sociedade civil em geral, qualquer tipo de actos violentos de que venha a ter conhecimento, não só para prevenir males maiores, mas também para pôr termo imediato a tudo aquilo que atenta contra a dignidade e a integridade das vítimas dessa violência.” A comunidade cristã, segundo Silvestre Marques, “poderá criar, ou ao menos contribuir para que se criem, condições que favoreçam a mudança de comportamentos e a reabilitação daquelas pessoas que se vierem a tornar factores de violência. Promover, nesse sentido, uma cultura do perdão e da esperança dando assim oportunidade a todos aqueles que desejarem encetar um caminho de mudança e de arrependimento dos erros cometidos, favorecendo, por essa via, a sua plena inserção na comunidade humana. Deve ainda continuar a promover o estudo do fenómeno da violência, aos mais diversos níveis e em todas as faixas etárias em que ela é praticada, com vista a contribuir para que se implante uma nova civilização que assente numa cultura do amor e da paz, onde sobressaia a dimensão espiritual do ser humano.” A concluir, Silvestre Marques afirmou: “o homem do terceiro milénio ou será espiritual, ou nem sequer será humano”. Departamento de Comunicação Social da Arquidiocese de Évora
