«Olhando para o cenário mundial, é mesmo preciso uma grande dose de esperança em muitas situações que são de limites», salientou o cardeal especialista em História da Igreja

Lisboa, 06 de jan 2026 (Ecclesia) – D. Manuel Clemente destacou que “o grande acontecimento marcante do jubileu”, o Ano Santo 2025 que se encerrou hoje, foi a morte do Papa Francisco e a eleição de Leão XIV, porque os outros momentos jubilares “foram mais parciais”.
“Acabou por ser marcada por um acontecimento, de certa maneira também foi jubilar, porque também teve esse horizonte do além, e que foram tudo aquilo que aconteceu com a morte de um Papa e eleição de outro, porque tudo quando sucedeu, e foi logo a seguir à Páscoa, em tempo pascal, e foram várias semanas, desde o funeral do Papa Francisco, foi uma coisa impressionante”, disse o patriarca emérito de Lisboa ao Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2.
O Papa Francisco faleceu aos 88 anos de idade, no dia 21 de abril de 2025, e D. Manuel Clemente recorda que foi “impressionante” “o rio de gente, multidões de todos os lados, de todas as cores, de todas as idades”, que passaram pela Basílica de São Pedro, “só para estar uns segundos junto do caixão”.
“E isso foi, efetivamente, um momento jubilar central, como depois o que aconteceu, naqueles vários dias que se sucederam até ao Conclave, e à eleição do Papa Leão, foi, inegavelmente, o grande acontecimento marcante do jubileu. O jubileu é isso, é estarmos todos juntos, voltarmos para Deus, também pensarmos em quem partiu, e esse momento foi muito importante, depois, os outros foram mais parciais”, desenvolveu o cardeal especialista em História da Igreja.
No Conclave 2025, D. Robert Francis Prevost, natural dos Estados Unidos da América, foi eleito como Papa no dia 8 de maio, após dois dias de reunião dos cardeais, e escolheu o nome Leão XIV, segundo D. Manuel Clemente, “foi providencial”, porque muita da problemática mundial atual, “até certo ponto, dependem de decisões que se tomam na América do Norte”, e é um Papa oriundo de lá, “que fala a língua”, que é diferente de aprender “uns vocábulos, é uma maneira de expressar pensamentos e sentimentos que são da origem, não são traduções”.
O 30.º Ano Santo da Igreja foi aberto por Francisco (24 de dezembro de 2024), após o ter proclamado na bula intitulada ‘Spes non confundit’ (A esperança não engana), e encerrado pelo seu sucessor, algo que não acontecia há 250 anos, Leão XIV, esta terça-feira, dia 6 de janeiro, que fechou a Porta Santa na Basílica de São Pedro.
“Durante um ano inteiro, nas homilias, nos discursos, nos encontros, por todo o lado se falou de esperança. Eu creio que esta virtude teologal da esperança como uma atitude que nós acreditamos que, partindo de Deus, vai além de todas as desesperanças e desesperos, que infelizmente sucedem, é um grande contributo. Foi muito bem escolhida a temática pelo Papa Francisco, e creio que ficou mais acentuada essa dimensão da fé cristã”, desenvolveu D. Manuel Clemente, afirmando que a esperança “é criativa de futuro”.
O cardeal português salienta que se compreende “bem” a escolha do tema da esperança para o jubileu 2025, porque no atual cenário mundial “é mesmo preciso uma grande dose de esperança em muitas situações que são de limites”, num mundo com a “Terceira Guerra Mundial em pedaços”, como referia o Papa Francisco, que acaba “por se repercutir diretamente em todo o lado”, como na Ucrânia que “também tem consequências” em Portugal.
Para D. Manuel Clemente, o apelo de Francisco a um cessar-fogo global na Bula de Proclamação do Jubileu “foi pedir o necessário”, no mesmo documento onde “elenca as pobrezas, nunca houve tantas possibilidades até materiais para resolver, mas até se agravam”, e incentiva a “transformar-se, de certa maneira, os sinais do tempo em sinais de esperança”.
Outro apelo do Papa argentino, que “seria muito bom e muito necessário”, era que o dinheiro das armas e outras despesas militares fosse usado para um fundo global para acabar com a fome, uma proposta “muito realista, porque ninguém ganha a não ser daqueles que querem ganhar à custa dos outros”
Leão XIV encerrou a Porta Santa da Basílica de São Pedro, uma cerimónia que marcou final do Ano Santo, na manhã desta terça-feira, 6 de janeiro, e questionou se a Igreja oferece “acolhimento” ou apenas “monumentos”, alertando contra a transformação da espiritualidade em “negócio”.
D. Manuel Clemente desenvolveu uma rubrica semanal dedicada à História dos Jubileus, no Programa ECCLESIA na RTP2, onde destacou os “grandes jubileus da ordem normal”, “os jubileus ordinários”, e também os “jubileus mais particulares, extraordinários”, como o Ano Santo da Misericórdia, com o Papa Francisco, em 2016.
“2033, será um jubileu especialmente marcante, são 2 mil anos da Páscoa do Senhor, que é aquilo que nós vivemos, os cristãos, e temos para oferecer ao mundo. E esse será, certamente, um grande jubileu, extraordinário, em todo o sentido, a palavra extraordinário”, acrescentou o cardeal especialista em História da Igreja.
O Papa Bonifácio VIII instituiu, em 1300, o primeiro ano santo – com recorrência centenária, passando depois, segundo o modelo bíblico, cinquentenária e finalmente fixado de 25 em 25 anos.
PR/OC/CB
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No contexto das iniciativas do Ano Santo 2025, o 27.º jubileu ordinário da história da Igreja, D. Manuel Clemente salientou que “foi notável” o Jubileu dos Jovens, “no princípio de agosto”, com centenas de milhares de participantes em Roma, jovens que “já estavam com aquela embalagem que tinham levado de Lisboa e de Portugal em 23”, da Jornada Mundial da Juventude, o que “cria dinamismos muito grandes, até porque eles continuam todos conectados, e essas redes continuam”. “Como já estão a preparar para ir a Seul na próxima Jornada Mundial da Juventude. E isso calhou bem, porque foi um momento, entre duas jornadas, que agora com este tom do jubileu, incentivou mais esta dinamização juvenil, que é muito importante”, acrescentou o patriarca emérito que acolheu a edição internacional da JMJ em Lisboa. Manuel Clemente, que participou em dois jubileus do Ano Santo 2025 em Roma – os encontros dos bispos e o dos sacerdotes de todo o mundo – destaca que “o programa foi muito exigente” tanto para Francisco, como para Leão XIV porque “houve jubileus para tudo”, com “várias temáticas, com a gente a afluir”, como os jovens, os idosos, “até aos reclusos, aos profissionais das várias áreas das profissões, aos políticos, aos desportistas”. “Em relação a todos esses jubileus, e as pessoas que foram a Roma, aos peregrinos, houve receções por parte do Papa, houve intervenções, que não foi apenas dizer qualquer coisa, às vezes também com intercâmbio, com diálogo, uma coisa muito exigente. Certamente, para todos os que participaram, foram ocasiões bonitas, interessantes, quer de encontro entre nós, peregrinos, mas também de encontro com o Santo Padre e ouvirmos o que nos tinha a dizer”, desenvolveu. Sobre o Jubileu dos Jovens, o patriarca emérito de Lisboa considera que “foi notável”, no princípio de agosto de 2025, “com centenas de milhares de jovens”, que “já estavam com aquela embalagem que tinham levado de Lisboa e de Portugal em 23”, da edição internacional da Jornada Mundial da Juventude. , o que “cria dinamismos muito grandes, até porque eles continuam todos conectados”, e, “já estão a preparar para ir a Seul”, a próxima edição internacional da JMJ, em 2027. “E isso cria dinamismos muito grandes, até porque eles continuam todos conectados; como já estão a preparar para ir a Seul, na próxima Jornada Mundial da Juventude, e isso calhou bem, porque foi um momento, entre duas jornadas que, agora com este tom do jubileu, incentivou mais esta dinamização juvenil que é muito importante”, acrescentou, destacando também que o Jubileu dos Políticos “foi muito interessante”, e comentou o encontro do mundo da Justiça. A cerimónia de encerramento do Ano Santo 2025 começou no átrio da Basílica de São Pedro, onde Leão XIV cumpriu o rito de fechar os batentes de bronze da Porta Santa, a última ainda aberta em todo o mundo, num gesto simbólico; o encerramento das celebrações decorreu de forma faseada: as Portas Santas das outras basílicas papais (Santa Maria Maior, São João de Latrão e São Paulo fora de Muros) foram fechadas nos últimos dias de dezembro. Antes de fechar pessoalmente as duas grandes portas na Basílica de São Pedro, Leão XIV rezou de joelhos, em silêncio, e proferiu a fórmula de agradecimento pelo Ano Santo: “Fecha-se esta Porta Santa, mas não se fecha a porta da tua misericórdia”. Já no interior da basílica, perante milhares de fiéis, a homilia do Papa centrou-se na figura dos “peregrinos de esperança”, recordando os mais de 33 milhões de pessoas que, segundo dados do Vaticano, acorreram a Roma ao longo do último ano. Nos próximos dias, técnicos da Fábrica de São Pedro vão construir uma parede de tijolos no interior da Basílica para selar a Porta Santa; nesta alvenaria será inserida a tradicional cápsula metálica (capsis), contendo o relatório de encerramento, as moedas cunhadas durante o Ano Santo e as chaves da porta, que só voltará a ser aberta no próximo Jubileu. |
Vaticano: Papa Leão XIV fecha Porta Santa, concluindo Jubileu da Esperança


