Amar carregando a dor do outro

Padre Sérgio Pera, Diocese de Bragança-Miranda

O Papa Leão XIV, na mensagem para o XXXIV Dia Mundial do Doente, que será celebrado a 11 de fevereiro de 2026, com o tema “A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro”, propõe uma reflexão a fim de redescobrir a beleza da caridade e a dimensão social da compaixão. Com este tema o Santo Padre deseja chamar a atenção para os necessitados e para os que sofrem (doentes).

A mensagem apresenta para reflexão, a parábola do samaritano, que ao ver o ferido teve para ele um olhar atento que o levou a uma proximidade humana e solidária. O samaritano parou, curou-o com as próprias mãos, ofereceu dinheiro e ocupou-se dele. Sobretudo, deu-lhe o seu tempo. Com esta parábola Jesus ensina como nos tornamos próximos daqueles que sofrem, seguindo o exemplo de Cristo.

O Sumo Pontífice apresenta a compaixão e a misericórdia não como gestos individuais, mas uma experiência relacional que se concretiza no encontro com o irmão que sofre, com aqueles que cuidam dele e, de modo fundamental, com Deus. Neste sentido, a compaixão cristã nasce de um olhar atento e disponível, capaz de parar no caminho e oferecer proximidade, tempo e cuidado, como fez o samaritano.

Um dos pontos que me chamou a atenção foi “A missão partilhada no cuidado dos doentes”, onde se aborda a compaixão como um sentimento que brota do interior e leva a assumir um compromisso com o sofrimento alheio. Neste capítulo, afirma que a compaixão se traduz em gestos concretos, tal como o samaritano que se aproxima, cura, responsabiliza-se e cuida. Porém, não o faz sozinho, mas procurou um estalajadeiro que pudesse cuidar daquele homem. Também hoje são muitos os que cuidam; familiares, vizinhos, profissionais e agentes pastorais da saúde e tantos outros que param, se aproximam, curam, carregam, acompanham e oferecem o que têm, dando à compaixão uma dimensão social.

Ao refletir neste ponto da mensagem veio-me ao pensamento um dos pilares dos Cuidados Paliativos que é o trabalho de equipa, onde todos os profissionais trabalham com uma metodologia e objetivos comuns. Na verdade, com os seus conhecimentos promovem a qualidade de vida, bem-estar dos doentes e prestam apoio aos familiares e/ou cuidadores.

Voltando à mensagem, o Pontífice destaca o dom do encontro como expressão concreta do amor cristão. Não se trata de passar ao largo do sofrimento, mas de se deixar tocar por ele, reconhecendo no outro um membro do mesmo corpo. A dor que comove o coração do cristão não é estranha: é a dor do próprio Cristo, presente na humanidade ferida. Vivida e oferecida com fé, essa dor torna-se caminho de comunhão e unidade.

O Papa recorda ainda que o amor ao próximo é inseparável do amor a Deus. Amar a Deus com todo o coração conduz inevitavelmente a um modo novo de amar e de se relacionar, em todas as dimensões da vida. A autenticidade da fé manifesta-se na capacidade de se fazer próximo, especialmente junto dos doentes, idosos e pessoas em sofrimento.

Na parte final da mensagem, o Papa exprime o desejo de que o estilo de vida cristão seja sempre marcado por uma atitude samaritana, fraterna, inclusiva e solidária, enraizada na união com Deus e na fé em Jesus Cristo.

O Santo Padre, com cuidado paternal, confia todos os que sofrem à intercessão de Maria, Saúde dos Enfermos, e concede a sua bênção aos doentes, às suas famílias, aos cuidadores, aos profissionais de saúde e aos agentes da pastoral da saúde.

Neste sentido, por ocasião do Dia Mundial do Doente desejo que a presença daqueles que visitam e ou acompanham os doentes contribua para suavizar as suas dores e nesta proximidade sintam o rosto de Deus na sua companhia.

Apresenta-se o link para acederam à mensagem para poder aprofundar a mensagem do Papa Leão XIV.
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/sick/documents/20260113-messaggio-giornata-malato.html

Padre Sérgio Pera
Coordenador dos Assistentes Espirituais e Religiosos Hospitalares da Unidade Local de Saúde do Nordeste

 

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