«The Passion of Christ» estreia em Portugal no dia 11 de Março, com distribuição da Lusomundo O presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, D. John P. Foley, assegurou que o filme “The Passion” de Mel Gibson é um belíssimo relato dos Evangelhos e descartou a hipótese de fomentar o anti-semitismo. De acordo com a Catholic News Service (CNS), esta foi a resposta que o membro da Cúria Romana deu a Abraham Foxman, director da Liga Anti-Difamação Judaica (ADL), o qual tinha viajado até ao Vaticano para que a Igreja Católica desautorizasse a fidelidade evangélica do filme de Gibson, que estreia nos EUA a 25 de Fevereiro, Quarta-feira de Cinzas. O arcebispo Foley – um dos primeiros a elogiar esta nova obra – disse à CNS que se encontrou com Foxman no Vaticano e lhe referiu “não ver nenhum problema com o filme”. A polémica está agora virada para Foxman, desacreditado enquanto representante da comunidade judaica por rabinos como Daniel Lapin. A sua campanha de desacreditação do que denomina o “Evangelho de Gibson” chegou até à Santa Sé, mas não conseguiu os seus intentos. D. John P. Foley afirmou mesmo que, após visualizar a Paixão de Cristo, “o que me aconteceu foi meditar profundamente sobre o pecado de cada um de nós”, revelando que espera que cada espectador “faça uma reflexão sobre a sua própria culpa no sofrimento de Cristo”. Em Portugal, a estreia do filme terá lugar a 11 de Março e a distribuição será feita pela Lusomundo. THE PASSION OF CHRIST
O actor e realizador Mel Gibson começou a rodar o filme “The Passion of Christ”, que retrata as últimas 12 horas da vida de Jesus, em finais de 2002. A grande novidade deste filme é que será falado apenas em latim e aramaico. A boa notícia é que Mel Gibson desisitiu de tentar convencer os Estúdios a não utilizarem legendas. A obra, de três horas de duração, apresenta uma narração que segue à risca o texto dos Evangelhos, mas não será a incerteza do desfecho a prender os espectadores à cadeira, mas a intensidade (que roça mesmo a violência) das imagens e dos sons. Contando com actores como Jim Caviezel e Monica Belucci, este filme de Mel Gibson, vencedor do Oscar de melhor realizador em 1995 com “Braveheart”, pretende, segundo o próprio, “transcender as barreiras da linguagem com cenas que contem a história por si mesmas.” O filme teve como cenário as localidades italianas de Sassi de Matera e Craco, transformadas completamente em função dos cenários: muros e torres, as cruzes do Gólgota, casas, mercados e vestes de há 2000 anos, tudo para filmar a Última Ceia, a prisão e julgamento, o encontro com Pilatos, a crucifixão e a morte de Jesus. Mesmo antes de estar concluído, o filme suscitou forte polémica nos Estados Unidos por causa da reacção de organizações judaicas norte-americanas, que acusam Gibson de retomar a acusação “Judeus, povo deicida” formulada na oração de Sexta-feira Santa pré-Vaticano II. João Paulo II já viu a obra e, apesar de se ter especulado sobre a sua reacção, a Santa Sé desmentiu que o Papa tivesse feito qualquer comentário público. A vida de Jesus já foi adaptada ao cinema por várias vezes, mormente por Martin Scorsese, Pier Paolo Pasolini e Franco Zeffirelli. Segundo Gibson, “The Passion of Christ” é um filme feito para inspirar, não ofender: “a minha intenção, ao levá-lo às telas, é criar uma obra de arte que fique e motive a reflexão nas audiências de diversos credos ou de nenhum, para quem a história seja familiar. Este é um filme sobre fé, esperança, amor e perdão, tão necessários nestes tempos turbulentos”.