«Missão é deixar que Deus faça coisas em nós enquanto estamos uns com os outros» – D. Manuel Quintas

Faro, 04 fev 2026 (Ecclesia) – Os estudantes da Universidade do Algarve (UAlg), e de outras regiões de Portugal, encerraram os três anos de ‘Missão País’ na aldeia de Paderne, entre 25 de janeiro de 1 de fevereiro, informa a Diocese do Algarve.
“Missão não é fazer coisas para Deus, missão é deixar que Deus faça coisas em nós enquanto estamos uns com os outros. É missionarmo-nos a nós mesmos, é deixarmo-nos evangelizar a nós mesmos, é deixar-nos envolver pela presença de Deus na nossa própria vida. Mais do que estar a levar Deus aos outros, é deixar que Deus venha ter comigo, me transforme e transforme a minha vida”, disse o bispo do Algarve, aos participantes da ‘Missão País’ em Paderne, citado, esta quarta-feira, pelo jornal diocesano ‘Folha do Domingo’.
D. Manuel Quintas afirmou que “a Igreja e Paderne não precisa de missionários impecáveis” às 32 raparigas e seis rapazes universitários, mas missionários que “o queiram ser e acolher essa presença e esse amor de Deus na sua vida”.
“Precisa de jovens que entrem nas casas como são: cansados às vezes, sem saber muito bem o que fazer, mas com um coração disponível para levar a paz e para partilhar a paz que acolhemos da presença de Deus na nossa vida”, acrescentou o bispo diocesano, que pediu aos estudantes universitários que sejam “mensageiros da paz”.
‘A Paz seja convosco’, é o lema da Missão País 2026, que tem fundamento no Evangelho onde São João relata a aparição de Jesus aos discípulos (João 20, 19-29), e São Tomé não estava presente.
38 estudantes da Universidade do Algarve (UAlg), e de outras regiões de Portugal – como Aveiro, Lisboa e Portimão -, concluíram os três anos de ‘Missão País’ na aldeia de Paderne, entre 25 de janeiro de 1 de fevereiro, e ficaram alojados na Casa do Povo.
“Vieste aqui talvez assim um bocadinho com as mãos vazias, com pouco, tempo limitado, cansaço acumulado depois dos exames semestrais na faculdade, inseguranças, talvez dúvidas na fé… tantas coisa que às vezes nos retraem e podem limitar a nossa participação nesta experiência, mas mesmo assim, tendo essa sensação, cada um de vós inscreveu-se para esta missão”, desenvolveu D. Manuel Quintas.
“E batestes à porta de gente desconhecida. E mesmo assim sentastes-vos para ouvir uma história, às vezes longa, repetida, às vezes até difícil de escutar porque traz muito sofrimento com ela. E mesmo assim ficastes em silêncio numa visita quase sem palavras, mas viestes com algo que é muito importante, é este pouco de que fala Jesus.”

O bispo do Algarve presidiu à Eucaristia, no dia 29 de janeiro, na igreja matriz de Paderne, e pediu aos missionários universitários disponibilidade e disposição interior para serem “presença de Cristo no meio do mundo com os outros e para acolher Cristo que está presente também no outro”.
Os chefes gerais da ‘Missão País’ 2026 da UAlg ofereceram a D. Manuel Quintas um “’kit’ missionário”, composto por uma camisola, uma cruz e um bloco.
“O senhor Bispo também é um missionário como nós e também para nós é um exemplo”, afirmaram Guilherme Bacôco e Vanessa Lebre, citados pelo jornal ‘Folha do Domingo’ da Diocese do Algarve.
Os estudantes universitários, durante uma semana, dividiram-se pelo trabalho nas creches, no lar de idosos e no centro de dia do Centro Paroquial de Paderne, na Unidade de Vida Apoiada Casa da Paz da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira – valência que se destina a pessoas adultas -, na escola, e no teatro que apresentaram a esta comunidade algarvia.
Este ano, na ‘Missão País 2026, existem 75 Missões em 60 faculdades, de várias regiões de Portugal continental e arquipélagos: Lisboa, Porto, Coimbra, Évora, Aveiro, Braga, Leiria, Santarém, Algarve, Madeira, Covilhã, Setúbal e Açores.
A Missão País é um projeto católico de universitários que tem como objetivo levar Jesus às Universidades e evangelizar Portugal através do testemunho da fé, do serviço e da caridade; cada missão, normalmente, realiza um caminho de três anos, que visa estreitar os laços entre os missionários e a comunidade local que os acolhe.
CB
![]() Para o pároco de Paderne, a passagem dos estudantes universitários, quase 150 voluntários ao longo dos últimos três anos, por esta aldeia e paróquia algarvia “foi uma graça”, e realçou o “impacto social” do trabalho dos missionários nas creches, no lar de idosos e no centro de dia. “Uma lufada de ar fresco nas casas, nas famílias, na forma de rezar e de cantar, no impacto com a catequese, na forma como se entrosaram e como foram capazes de manifestar a alegria da fé, mas também a alegria da juventude”, disse o padre Pedro Manuel, ao jornal diocesano ‘Folha do Domingo’. Segundo o pároco de Paderne, com a ‘Missão País’ as paróquias “saem sempre muito enriquecidas não pelo que se faz”, mas pelo que se é, nomeadamente “a beleza, a alegria e a riqueza do testemunho”. “Pessoalmente, deixa-me sempre muito tocado e percebi que aos paroquianos também. Manter a alegria e o entusiasmo da comunidade que não se sente substituída, mas abraçada, sobretudo porque acolhe. Estes dias são sempre possíveis porque o coração humano é uma porta que se abre para que outros entrem”, desenvolveu, agradecendo também a cada um dos paroquianos “pela beleza do que transmitiu cada vez que acolhe a vida”. O padre Pedro Manuel destacou também o apoio social dos jovens que integraram o projeto ‘Just a Change’, que realiza pequenas obras e melhoramentos em casas de pessoas que necessitam de ajuda, e em Paderne recuperaram uma habitação desabitada que pode “receber agora alguma família cadenciada”. “Foram impactantes, um bonito testemunho e, objetivamente, uma grande riqueza. Tiraram estes dias para estar ali connosco e para fazer de Paderne a sua casa; Fazer isto por amor e de forma gratuita é algo que toca muito o coração”, acrescentou o sacerdote, que agradeceu à Capelania e à Universidade do Algarve por terem escolhido Paderne para a realização desta ‘Missão País’. Nos três anos, a ‘Missão País’ na aldeia de Paderne teve como assistente espiritual o padre António de Freitas, contou com a participação do agora padre Bruno Valente, nos anos anteriores como seminarista e diácono, e, neste último ano, tiveram a participação de uma jovem religiosa da Congregação de Dominicana de Santa Catarina de Sena. |

